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13 julho 2010

Rescaldo da Copa

Findado o evento, é hora de fazermos a avaliação geral, aprender as lições e ver o cenário geral.
Em primeiro lugar, temos de admitir que a África do Sul mandou bem, apesar dos pesares. Não foi lá a perfeição que a Alemanha mostrou 4 anos antes, como era de se esperar. Mas, diante da expectativa de quizumba geral por parte dos mais pessimistas, o evento foi bem. Deslizes na 'periferia', como algumas falhas de segurança no entorno, um certo auê no trânsito, mas nada que se assemelhasse ao apocalipse prenunciado pelos detratores de plantão. Enfim, foi um bom evento, com a nota dissonante para os gramados, que não agüentaram o tranco dos jogos seguidos.
Os embates marcaram pela retranca adotada pela maioria dos times. À exceção da Argentina e da Espanha, que buscaram jogar ofensivamente, a maior parte das equipes preferiu o esquema recuado, esperando pelo adversário. Alguns times o fizeram com muito talento, como a Alemanha e a Holanda, que sabiam tocar o melão e sair rapidamente para o jogo. Outros, como a Itália e Portugal, apenas se fecharam, sem saber o que fazer com a Jabulani. Isso nunca foi futebol nem aqui nem no Couto Pereira. O bom é que a vitória da Espanha ajuda a reforçar a tese de se jogar o futebol em busca do resultado, ao invés do tal 'pragmatismo' do Dunga e do Parreira.
Os costumeiros erros de arbitragem voltaram ao lugar de destaque em uma Copa do Mundo. Não é de hoje que os senhores do apito aprontam lambanças em jogos importantes. O que impressiona é a FIFA não tomar uma atitude sequer no sentido de melhorar o desempenho da arbitragem, como se fosse uma tarefa hercúlea. Obviamente que não pode ser algo aos moldes americanos, de parar o jogo. Mas, por que não um camarada com uma TV, onde ele rapidamente reveja o lance e informe ao árbitro? Uma medida dessas poderia facilmente alertar o árbitro sobre o gol inglês que não foi marcado. Acho que há algo mais por trás dessa repulsa em adoção de medidas tecnológicas.
A Jabulani foi alvo de críticas e reclamações por causa de seu comportamento, digamos, anormal. O fato é que a bola tem uma trajetória diferente, isso pôde-se perceber. Mas, acho que faltou apenas costumar-se a ela. Afinal, como disse o Rivelino, 'depois de duas horas, ela faz o que eu quero'. Nada mais claro para quem já jogou bola.
Os fiascos coletivos ficam por conta de franceses e italianos, que sequer passaram da primeira fase. Os da Bota já estão até acostumados: 50% de suas participações em copas acaba assim. E os franceses acabam voltando ao normal depois da era Zidane, que comandava Les Bleus com extrema maestria. O destaque vai para o racha declarado no time francês, que acabou com intervenção do governo para ver o que houve. Ficou como 'o desastre' dessa Copa!
Os fatos pitorescos têm no polvo Paul, que acertou todos os jogos em que foi instigado a adivinhar o vencedor, e no pé-frio Mick Jagger, que conseguiu soterrar 3 seleções em seqüência, o seu ponto máximo. Dizem que o passe do Polvo já foi avaliado em 30 mil euros e que o Framengo pensa em contratá-lo. Maradona também fez por merecer figurar nessa categoria, tamanha sua desenvoltura teatral no lado de fora do gramado.
Ah, sim, não poderia esquecer das musas da Copa!  Larissa Riquelme, que fez questão de posar pelada mesmo com o Paraguai eliminado, entra como musa 'desinibida', já que musa mesmo é aquela namorada do Casillas! Vai ser boa assim lá em casa!
E, claro, temos de eleger a Seleção da Copa, com os onze que se destacaram em suas posições. Vejamos...
No gol, temos alguns bons candidatos: Butt, Stekelenburg, Júlio César e Casillas foram os melhores. O brazuca acaba penalizado por causa do time que não avançou. Os três restantes jogaram bem, mas o holandês teve uma falha que depõe contra e o alemão não sabe jogar com os pés. Casillas, por sua vez, salvou a Espanha com uma defesa quase milagrosa no arremate de Robben, cara-a-cara. Ele leva meu voto.
Na zaga, temos a dupla brazuca, a dupla alemã, a dupla espanhola e Lugano como candidatos. De novo, a dupla brazuca sai prejudicada pelo desempenho da amarelinha. Lugano, embora tenha ido bem, não foi páreo para os espanhóis ou alemães. Acho que a dupla alemã foi melhor e, por isso, meu voto vai para Friedrich e Mertesacker.
Nas alas temos Lahm e Maicon, pela direita, mas acho que o alemão jogou melhor quando entrou. No lado esquerdo, tivemos Coentrão e Van Bronckhorst como candidatos. Mantendo a tal da coerência, vamos eliminar Coentrão junto com o time luso e ficar com o holandês.
Na meiúca, a concorrência é feroz! Meu voto vai para Schweinsteiger, Xabi Alonso, Sneijder e Xavi, embora tenhamos nomes como Özil, Iniesta, Müller e Forlán - este, deslocado para o ataque na minha eleição. São nomes que poderiam muito bem estar entre os onze...
Assim, no ataque, temos Forlán e Villa, os caras mais contundentes dessa Copa.
O time, então, fica: Casillas, Lahm, Friedrich, Mertesacker, Van Bronckhorst,  Schweinsteiger, Xabi Alonso, Sneijder, Xavi, Forlán e Villa. Comandados por Vicente del Bosque, que soube fazer a Furia jogar do modo que fosse preciso!
Notaram que, como em 2006, a lista não tem nenhum brasileiro, né?

11 julho 2010

O novo sócio

O clube de países ganhadores de Copas do Mundo ganhou um seleto membro, oriundo da península ibérica, que praticou um futebol de primeira grandeza nos últimos anos. Ganhou a Eurocopa de 2008 após 44 anos de jejum, manteve a base e chegou como uma das candidatas ao título, com uma campanha irretocável nas Eliminatórias (10 vitórias em 10 jogos). A derrota na Copa das Confederações não suscitou protestos nem demissões. Confirmou o favoritismo crescendo durante a competição, após um tropeço contra a fraca Suíça. Apesar do destaque de David Villa, artilheiro da equipe, a Espanha não era time de um cara só. O Uruguai, por exemplo, tinha no versátil Forlán, eleito o craque da Copa com justiça, a esperança de que o jogo se resolvesse. A Espanha, assim como a Holanda e a Alemanha, tinha mais astros. Iniesta e Xavi despontaram com categoria na meiúca espanhola. Além disso, tinha em Casillas um arqueiro seguro e confiável, que joga na Furia desde os 18 anos. Tinha Puyol que, se nunca foi um jogador técnico, não é de relaxar e dificilmente deixa a peteca cair. Forma, com Piqué, a zaga do Barça. Também tinha Vicente del Bosque, que andava esquecido no Besiktas após a passagem vitoriosa pelo Real Madrid. Em 30 jogos sob seu comando, a Furia venceu nada menos que 30 deles, trazendo à baila os promissores Navas e Pedro.
Fez a final contra a 'pragmática' Holanda, que é um eufemismo para dizer 'uma Holanda não tão boa quanto antes', mas que obtinha resultados importantes. Longe de praticar um futebol feio, a Laranja chegou à final com uma campanha irretocável: 6 vitórias em 6 jogos, despachando o sempre favorito Brasil nas quartas de final. Isso para não falar das Eliminatórias da Europa, onde foi o primeiro time a se credenciar à Copa. Os destacados Robben e Sneijeder comandam as jogadas ofensivas do time, enquanto a meiúca se dedica a marcar e conter o adversário. Por vezes, com exagerado vigor, tema no qual Van Bommel se projeta como peça-chave nas botinadas. A última derrota da Holanda havia sido em set/09, contra a Austrália, ou seja, há quase dois anos, o que demonstra a longevidade do futebol laranja.
Com dois times tão qualificados, esperava-se um jogo aberto, ofensivo, mas não foi bem isso que se viu. Embora tenha sido um bom jogo, viu-se uma Holanda um tanto violenta, jogando na porrada e na bola. O árbitro começou bem, distribuindo amarelos, mas amarelou na hora de avermelhar e o jogo descambou um pouco. Saldo final de 12 amarelos e um vermelho dão o tom da final mais violenta da história das Copas.
Ainda assim, cada equipe criou pelo menos duas excelentes oportunidades de marcar. Aliás, não foram só oportunidades, foram gols que simplesmente não balançaram as redes, tal a facilidade com que o tento se apresentou a um lado e outro - Robben, Fábregas, Xavi, Capdevilla e Ramos poderiam ter balançado o barbante. Robben, aliás, vai lamentar muito não ter chutado melhor contra Casillas. Talvez tenha faltado é um centroavante melhor para a Holanda, que se ressentiu do omisso Van Persie.
A Espanha jogou melhor, com mais ímpeto ao gol, com melhor futebol, com mais toque de bola. Comandou a partida e fez jus ao caneco. E agora tem 4 anos de regozijo pela frente, coroando um país que tem revelado talentos desportivos em diversos campos, tais como o automobilismo e o tênis.
Parabéns à Espanha e bem-vinda ao clube. Só não vá querendo lugar na janela...

09 julho 2010

Os melhores do mundo

A FIFA já elencou os 10 candidatos a melhores do mundo nessa Copa. Como esperado, nenhum brazuca na lista - e nem o Cristiano Vedete. Mas não entendi Messi e Gyan na relação. Acho que foi só para comporem o místico número da dezena e para ter um africano no meio... Dos relacionados, acho que os que mais se destacaram foram Villa e Shweinsteiger, sendo que o espanhol foi mais decisivo, artilheiro da equipe e ator importante nos jogos. É o meu eleito para 'craque da Copa'.
Também foram indicados os 3 finalistas ao prêmio de 'jovens talentos' dessa Copa. Lembrando que vale para os jogadores com menos de 21 anos completos na Copa. Por isso que Mesut Özil, nascido em 15out88 não concorre.
Andre Ayew (17/12/89) é filho de Abedi Pelé, lenda do futebol africano e maior artilheiro de Gana de todos os tempos. Campeão mundial Sub-20, o meia-atacante teve destaque na campanha ganense, com uma média de 85% de acerto de passes na competição. É jogador do AC Arles-Avignon, da segunda divisão da França.
Giovani dos Santos (11/05/89) também já foi campeão mundial com a seleção mexicana em categorias de base. Em 2005, levou o título do Sub-17 em um time que contava ainda com Carlos Vela, seu companheiro de ataque nesta edição da Copa. Surgiu com destaque no Barcelona, e atualmente defende o Galatasaray, da Turquia.
Thomas Müller (13/09/89), que tem meu voto, teve uma ascensão meteórica na carreira. Há duas temporadas nem figurava no elenco principal do Bayern de Munique, da Alemanha. Fez sua primeira partida pela seleção neste ano, mas já conquistou o seu espaço na equipe de Joachim Löw. Neste Mundial, fez quatro gols e deu três assistências.

07 julho 2010

Final furiosa

A Furia eliminou a Alemanha em um bom jogo de futebol. Ambas as equipes praticaram o esporte em alto nível, com toque de bola, marcação, deslocamentos... Sem apelar para botinadas - a primeira falta só saiu aos 27min de jogo! Felipe Mello não deve ter entendido como isso pôde ocorrer!
O jogo foi equilibrado, apesar do domínio territorial espanhol, que possibilitou as maiores chances. O gol, aliás, golaço, de Puyol (quem diria!!) fez justiça ao time mais agressivo, mais disposto a vencer.
A Espanha jogou pressionando, fechando os espaços e evitando a saída do time de branco. Ozalemão pareciam sentir a pressão e a tensão do jogo, mas estocavam, vez por outra, com perigo. O lance em Özil até poderia ser interpretado como falta, mas não foi um lance trivial. Foi parecido com o lance em que Estrada, do Chile, foi expulso contra a própria Espanha. A interpretação do árbitro decide de que lado fica a moeda.
A pressão espanhola obrigou os alemães a jogarem de modo diferente, marcando mais atrás. Isso dificultou sobremaneira o time, que ficou contido em seu campo, sem espaços para trocar passes. Ainda assim, a zaga tedesca marcou muito!
A ausência de Müller, sem dúvida, dificultou para a Alemanha, mas o principal fator foi a postura dos ibéricos, que impuseram seu jogo mais consistente. Sempre achei que a Espanha daria trabalho, pois cresceram após o fiasco da estreia.
De qualquer modo, qualquer uma das equipes estaria bem na final contra a Holanda. Quero ver o que o Mig, adepto da teoria de que Espanha e Holanda jamais ganhariam um título por que são amarelões, tem a dizer dessa final inédita.
Para o caneco, eu aposto nas espanholas... Mas não é um palpite fácil! Concordam?

06 julho 2010

Alaranjou

O Uruguai foi mais longe do que qualquer um esperava. Fez bonito, até. Um bom jogo contra a Holanda, que segue 100% na Copa. Convenhamos, contando com as largurinhas de time que chega longe. Na Celeste, só o Forlán se entendeu com a Jabulani. O resto foi na base do 'coletivo que apóia'. Ainda assim, quase deu. No finalzinho, pressionaram, na base do abafa, e por muito pouco não enfiavam mais um na meta do atabalhoado Stekelenburg. O jogo serviu para apontar o vice-campeão da Copa, pois não acredito que a Holanda resista à Espanha ou à Alemanha. O jogo baseado em Robben e Sneijder tem dado certo, mas é pouco para ser apontada como favorita frente a um dos outros dois semi-finalistas. Van Persie não tem jogado bem, Van Bommel é fraco e o arqueiro mostrou que bobeia também. Ainda assim, praticam um futebol razoável, com desenvoltura - bem melhor que o do time do Dunga. Não chegaram à toa à final e será outro bom jogo para se ver!

03 julho 2010

Eles também voltam

A Copa que ameaçava ser sulamericana, fica reduzida ao Uruguai, último reduto do continente.
Depois de sermos despachados pela Holanda, finalizando a sombria 'Era Dunga', foi a vez dos hermanos e dos paraguaios, que também saem nas quartas-de-final.
Para os que gostam de comparações, toda essa quartelada do Dunga, de comprometimento e 'grupo fechado', não funcionou para termos um rendimento melhor. Fizemos menos pontos que em 2006. Será que o 'oba-oba' de Parreira foi melhor? Para os que decidem só com base em números, sim. Para mim, foi a mesma joça! Nenhum mostrou capacidade de comandar um time com a envergadura global da Seleção. O Parreira, aliás, é a maior mentira do mundo futebolístico internacional, seguido de perto pelo Capello. O Dunga não soube lidar com a pressão de modo sereno - nesse quesito, Parreira o supera de longe. Mas ambos pouco sabem além da panelinha.
Maradona também enveredou pelo caminho do comando técnico, mas pecou pela falta de compreensão do jogo a partir do banco. Gênio com a bola nos pés, turbulento na vida pessoal, manteve o estilo dramático e apaixonado no comando do selecionado nacional. Porém, quando teve que mexer no time para tentar superar as dificuldades, não rendeu. Ninguém entendeu a permanência de Milito no banco contra a Alemanha. Tudo bem começar com o Higuaín, que era o, digamos, titular. Mas, com o time em apuros e com o titular não jogando nada, a entrada de Milito era o caminho natural. Mas, sabe-se lá por que motivos, o teatral Maradona, alvo preferido das câmeras, não viu assim. E a Argentina sucumbiu ao talentoso e renovado time alemão, que jogou muita bola. As peças fundamentais, Müller, Klose, Lahm e, principalmente, Schweinsteiger, funcionaram, aproveitando a maior deficiência argentina: sua defesa. Já Özil, a revelação, ficou devendo. Do lado contrário, as peças não renderam o que se esperava. Messi foi outro camisa 10 a passar em branco na Copa e se torna mais uma das decepções de 2010, mantendo a 'maldição do melhor do mundo'. Tevez foi outro que tentou, a seu modo, mas pouco fez. Apesar da rivalidade que nos obriga a secar os hermanos, temos que reconhecer que eles jogaram mais que nós nessa Copa. Pelo menos foram ofensivos, dispostos a mostrar um futebol mais latino, mais bonito. Perder ou ganhar é do jogo. Ser covarde é opção.
Com o futebol apresentado, a Alemanha vai como favorita contra a Espanha, que jogou um futebolzinho meia-bomba contra o 'temido' Paraguai. Tudo bem que os vizinhos não são assim desprezíveis, mas esperava-se mais da Fúria. Foram burocráticos e por vezes dispersos, dando diversas oportunidades para o Paraguai fechar o jogo. Os paraguaios foram na sua e conseguiram bloquear a meiúca espanhola, travarndo o toque de bola europeu, mas perderam graças à incompetência de Cardozo na cobrança do penal que daria a vantagem aos sulamericanos. Morno na primeira etapa, o jogo ganhou contornos dramáticos após os penais em seqüência. Até mesmo o gol espanhol foi chorado, parecendo um roteiro de dramalhão mexicano. O time espanhol tem um bom toque de bola, mas tem de ser mais produtivo se quiser passar pela Alemanha! Essa sorte toda não deve se repetir.

02 julho 2010

Eu já sabia!

Meu palpite foi acertado. Holanda e Uruguai passaram por seus adversários e seguem à Semifinal! Embora a Holanda não tenha jogado tudo isso e o Uruguai tenha suado em bicas para superar Gana nos penais...
O Brasil foi eliminado pela Holanda em um bom jogo, no qual o time de Dunga começou bem, tocando a bola e metendo a Laranja na roda. Abriu o placar e poderia tê-lo ampliado com relativa facilidade, tivesse sido um pouco mais feliz nas conclusões. Luís Fabiano muito marcado, Kaká um pouco disperso e Robinho disposto, mas meio exibido, se aliaram, no segundo tempo, a uma zaga que bateu cabeça quando não podia, um goleiro que falhou quando não devia e um Felipe Melo destemperado como sempre. Ainda que a Holanda tenha 'achado' os dois gols, temos de reconhecer que nosso time não esteve bem, além de um pouco azarado. Mas, o fato é que nesse jogo afloraram as deficiências de um time que contava com a 'vontade' como arma de guerra, em detrimento de maior apuro técnico no trato com o melão. E isso é muito pouco quando se precisa de alternativas, de mudanças, de outras estratégias, enfim. Nosso time só tinha um jeito de jogar e perdeu as esperanças quando levou a virada. Impressiona que um time experiente, com jogadores tarimbados, perdesse o chão na primeira adversidade. Será que o esquema 'militar' de Dunga não gerou uma pressão exagerada no elenco? Esperava-se mais equilíbrio emocional de um elenco tão tarimbado, mas o que sobrou foi o destempero de Felipe Melo, destaque da imprensa internacional como o principal 'culpado' pela derrota. Culpado ou não, o fato é que o destrambelhado volante mostrou que não pode jogar sem sua dose de Gardenal. Jogar com um a menos, precisando virar o placar é tarefa ingrata, sobrecarregada pela falta de capacidade de reação do time.
Dunga vai ter de conviver com a sina de ter fracassado na Copa, além de suportar a reação dos inimigos que colecionou pelo caminho. Galvão e Casagrande já deram o tom das críticas que certamente soterrarão a imagem do rabugento treinador. Do alto de sua 'coerência', Dunga sabia que poderia morrer abraçado com a panela. Pena que ele se limitou a uma fórmula baseada em 'comprometimento' e 'foco', deixando o tal do talento à margem da estrada. Custou caro. Os bons resultados obtidos ofuscaram a avaliação do caminho escolhido pelo turrão, que cegou os olhos para alguns fatos relevantes, como a má forma física de Kaká e Luís Fabiano, além da falta de versatilidade no elenco escolhido. A simples falta de Elano (que nem é para tudo isso) no meio de campo já deixou o time fragilizado. O lado bom dessa derrota é que teremos como criticar essa opção tática do treinador, permitindo que o próximo volte a trilhar o caminho do futebol bem jogado, não só o da 'vitória por meio a zero'. Além, claro, da continuidade das beldades holandesas em estádios sulafricanos!
O Uruguai esteva pela boa para sair da Copa. Ao melhor estilo 'Náutico nos Aflitos', Gana teve a chance de matar o jogo, mas desperdiçou um penal no último instante do segundo tempo da prorrogação e se deu mal nos penais. Os cisplatinos não tiveram sua melhor exibição, mas Forlán confirmou seu grande momento, comandando a Celeste Olímpica. E os vizinhos não tiveram vida fácil contra os crioulos, que correram o tempo todo e por muito pouco não se tornaram célebres na África. Achei impressionante a disposição física dos ganeses.
Agora, o negócio é secar a Argentina...

29 junho 2010

Ó, raios!

Os portugas deram adeus à Copa após um bom jogo contra a Espanha. Bom para a Espanha, que dominou o embate e saiu com o 1x0 magro, mas suficiente para passar adiante. Xavi e Villa deram o tom da agilidade espanhola com toques ligeiros. Reitero o que afirmei: a Espanha está crescendo! Portugal manteve a postura defensiva que mostrou nos outros jogos, com CRonaldo protagonizando os lances de ataque lusitanos - e com um olho no telão. Diz-se que essa nova disposição em defender dos portugueses derivou da sova de 6x2 aplicada pelo Brasil em 2008, lá no Gama. Se assim foi, os gajos entenderam de maneira errada a arte do ludopédio, o que lhes custou caro, já que o time abdica de usar suas armas em prol de tentar se defender. Uma bobagem que culminou com Portugal eliminado tomando apenas 1 gol na Copa! Bem feito. Alguém tem de explicar a eles que futebol é para fazer gol! E aí aproveitaria para explicar ao Dunga também... O fato é que Portugal não se prestou a jogar futebol, preferindo a covardia à luta. Pena.
A Espanha terá ainda uma empreitada não tão espinhosa nas quartas de final: o Paraguai, que passou pelos japas nos penais, após um jogo provinciano. Não podia mesmo ser decidido de outro jeito. Quem saiu aplaudido foi o técnico japonês, Takeshi Okada, que reconheceu a culpa pela derrota na coletiva de imprensa. Só não entendi como isso mereceu aplausos, mas, enfim... Coisa de japas!

28 junho 2010

Às Quartas!

Brasil e Holanda se enfrentam na sexta, pelas quartas-de-final da Copa.
Nós passamos com facilidade pelo Chile, como esperado por todos, mesmo os chilenos. Apesar do Dunga, somos mais time! Que melhorou com a saída do estourado Felipe Melo. Ramires deu mais agilidade à meiúca, o que tornou a nossa saída de bola melhor. Pena que levou o segundo amarelo e fica fora da próxima partida. Ainda carecemos demais de Kaká e Robinho fazerem as jogadas. Sem eles, o time fica muito capenga. Pelo menos a zaga é confiável. Lúcio e Juan, até agora, dominaram o setor. Assim como Maicon, pela ala destra. Luis Fabiano fez o seu, mas jogou mal. Pouco participou e pouco fez quando teve o melão aos pés. Assim como Daniel Alves, que insiste em amarrar as jogadas ao invés de dar seqüência - como faz Elano.
A Holanda passou bem pela Eslováquia, como também se esperava. Robben, Sneijder e Kuyt devem incomodar pacas a nossa defensiva! São rápidos e mexem-se constantemente. O nosso meio tem dificuldade de criação e espera-se que marque, mas não é bem o que acontece. Gilberto Silva é pesadão e dá espaço. Ou seja, vai sobrecarregar o miolo da zaga. E a nossa ala esquerda será bem exigida por Robben, que costuma jogar por ali, buscando o corte para o meio e o chute ao gol.
A tomar como exemplo o jogo de hoje, podemos encontrar espaços na zaga deles também, explorando as descidas de Maicon e as tabelas de Robinho e Kaká.
Meu prognóstico: dá Holanda em um bom jogo!

27 junho 2010

Favas contadas

Como esperado, Los Hermanos bateram o México com folga. Verdade que não esperava tanta moleza! O time da América Central foi logo entregando a rapadura com uma atuação bisonha de Osório, que nada tem de general. Embora o time argentino não tenha feito sua melhor apresentação, os cucarachos foram mal o suficiente para facilitar a vida de Maradona e cia. Messi, aliás, ficou devendo futebol. Coube a Tevez o protagonismo do time alvi-celeste, marcando um gol em impedimento mais do que claro e outro com um chutaço de fora da área. Cabe a ressalva de que, mesmo com a ajudinha do árbitro, o time vizinho jogou muito mais e mereceu a vitória. Impressionou o amadorismo mexicano. Vejamos como será o embate contra os alemães, que será o verdadeiro teste para os argentinos.

A revanche

Em um bom jogo de Copa do Mundo, 'o' Alemanha eliminou a Inglaterra com uma goleada justificada. Jogou mais! A defesa inglesa bateu cabeça e deu espaços para que os alemães encaixassem seu jogo. E a meiúca alemã se acertou, criando as jogadas, com toques rápidos, envolvendo o adversário. Bacana foi ver a Alemanha manter o ritmo mesmo com a vantagem no placar. O requinte da crueldade foi o gol inglês não validado pelo árbitro, apesar da Jabulani ter entrado mais de 30cm na meta de Neuer. Lance capital que ajudou a decidir a partida em favor dos alemães. E que também serviu para vingar 66, quando o English Team levou o caneco na mão grande justamente em cima do time alemão. Rooney não mostrou futebol e volta para casa como fiasco, assim como Capello, que tem mais fama que competência. Do lado chucrute, Schweinsteiger e Podolski mandaram bem! Agora a Alemanha deve pegar a Argentina. Vai ser bom o jogo!

26 junho 2010

Oitava na peneira...

Eu tava peneirando e pensando cá com meus botões: não temos banco! Saindo Kaká e Robinho, nosso time se desmonta a ponto de ficar ridículo. Júlio Batista não é, definitivamente, um reserva à altura. Claro que não é fácil substituir o Kaká, um baita jogador, mas não precisava avacalhar. Nilmar até que entra bem no time, pois é rápido, voluntarioso, movimenta-s ebem e abre espaços. Mas, volto a dizer, a grande deficiência do nosso time é a meiúca! Qualquer 'equipa' que se pretenda jogar futebol não pode contar com os lamentáveis Felipe Melo, Gilberto Silva, Josué e Júlio Batista para armar as jogadas. Essas escolhas do Dunga limitaram sobremaneira a nossa capacidade de criação. E a presença de Daniel Alves no meio também não foi o esperado. Ele fica melhor na ala canhota, no lugar do apavorado Michel Bastos, que ainda não se entendeu com a Jabulani, nem com a Copa, nem com o time. Decididamente, o Brasil não pode ficar sem os titulares. Com eles, é um time bastante razoável. Sem eles, dá sono. Os últimos 10min do jogo contra os patrícios foram constrangedores. As vaias foram merecidas. Lembrou um Alemanha x Áustria de 82, o famoso 'Jogo da Vergonha'. Portugal começou numa retranca desavergonhada, dando a entender que o empate era o melhor resultado. Medo mesmo. Acho que é o efeito que a Amarelinha faz em todos. Mas, passado o primeiro tempo, o jogo se inverteu, ficando o Brasil na defensiva. Não fosse a complacência do árbitro e teríamos o Juan expulso ainda no primeiro tempo. A mão na bola, como último homem, evitando que o metrossexual luso entrasse sozinho em direção ao gol justificaria o vermelho. Sorte nossa. Contra o Chile temos boas perspectivas, pois o vizinho não bota medo nem no Paraná. É o melhor adversário que poderíamos pegar! Mas, contra um time melhorzinho e mais disposto, teremos severas dificuldades. Uma Holanda ou uma Espanha despertarão os nossos instintos mais primitivos frente à telinha. Haja coração e paciência!
Os outros jogos
O Uruguai deve ter vida fácil contra a Coreia do Sul. Correm, são dispostos, mas os chinas ainda carecem de mais intimidade com o esporte bretão. Os cisplatinos se superaram e até mostraram futebol. Acredito que passem pelo vencedor de EUA x Gana (meu palpite: EUA) e cheguem até a semifinal, onde encerram seu périplo pela África do Sul.
Alemanha x Inglaterra é um jogo imprevisível. Dois adversários históricos, equipes equivalentes. Quem passar pega o 'bicho-papão' Argentina, que seguramente passa pelo México. Talvez os ingleses sejam um adversário mais forte, pois o time é mais experiente e, claro, sempre tem a rivalidade desde os tempos das Malvinas que paira no ar. Jogo para ver e torcer!
Estou apostando que a Espanha ainda engrena. Tem crescido de desempenho, com o time se encontrando mais em campo. Só acho que tem de se livrar do Torres, que não joga nada.
A volta de Robben, fazendo dupla com Batman, digo, Sneijder, torna a Laranja uma forte candidata. Pesa contra ela a mesma sina que joga contra a Espanha: na hora H, tropeçam. Vamos ver. Tabus estão aí para serem quebrados mesmo.

22 junho 2010

Grupo B

Deu a lógica. Ou perto disso...
Los hermanos levaram o primeiro posto jogando alguma bola, mas já estão se achando os donos do pedaço. Fácil, fácil de levar um tombo. Ainda mais com uma defesa peneira dessas, que é doida para entregar a rapadura para o primeiro ou segundo que der uma de esperto por ali. E a meiúca comandada por Verón vai bem, mas o véio cansa. Ou seja, se der correria, ele abre o bico. Mesmo com Messi meia-bomba, do meio para frente a Argentina é perigosa. E foi assim que mantiveram os 100% no grupo, jogando para frente, ainda que com um time reserva em campo contra os chatos gregos, que teve em Samaras sua referência na frente - e único que incomodou os argentinos, enquanto Tzorvas, o grego, tratou de defender a meta com afinco. Os outros tentavam anular o jogo platino, naquela limitação grega que já conhecemos. Apesar de uma certa preguiça, a Argentina saiu de campo com os 3 pontos e o moral lá em cima.
Bom para os sul-coreanos, que empataram com a Nigéria em jogo acirrado e levaram o vice na chave. Saíram atrás do placar, com os nigerianos melhores em campo. A desorganização em campo ainda prejudica muito as equipes africanas. E, com muita aplicação tática, os 'chinas' conseguiram reverter o placar. Não fosse o desperdício do gol mais feito da história das copas, talvez a Nigéria tivesse saído de campo com os tentos.

Grupo A

Merecidamente, a França tomou na tarraqueta. Perdeu para a África do Sul e sai da Copa em mais uma campanha vexatória. Até chegaram a jogar melhor, mas foi pouco. A falta de vontade em campo era evidente. É o que dá um time de segundo escalão achar que é grande só por ter ganho uma Copa em casa. O racha foi, sem dúvida, decisivo para Les Bleus voltaram para casa mais cedo. Mostrou que Domenech não comandava os jogadores e o pau comeu nos bastidores. Isso para não falar em uma geração fraca tecnicamente. Se Ribéry, um jogador mediano, é 'o cara' da França, bem, sinal que a safra não deu conta. Do lado de lá, Parreira ganha sua primeira partida em Copas sem comandar o Brasil. Coincidentemente, foi com um time que também veste amarelo. De qualquer modo, o desempenho de Parreira à frente dos Bafana-Bafana deu motivos para reclamações. 'Superestimado e sobrevalorizado' era a tônica da imprensa local. E eu concordo. Acho que não tem enganador maior que esse cara no futebol mundial. Bem, talvez o Joel Santana, mas esse nunca foi a uma Copa.
No outro jogo, os uruguaios surpreenderam até mesmo os Iorio e se classificaram em primeiro do grupo, batendo o México pelo placar mínimo, confirmando o bom desempenho sulamericano nessa edição do torneio. Vale lembrar que o México teve de mudar seu esquema de jogo devido à ausência de dois de seus atacantes. A entrada do veterano Blanco obrigou o time a jogar mais pelo meio, devido à sua característica de jogo mais fixo. Eu achava que seria um jogo de compadres, mas, que nada! O intuito era fugir da Argentina na fase seguinte, o que levou os mexicanos até a algum risco, metendo 3 na frente para tentar o gol. Quem se dá mal nessa são os do sombrero, pois devem encarar o time de Maradona, enquanto os nossos vizinhos devem pegar a Coreia do Sul ou a Grécia.
O Uruguai, que chega às oitavas depois de 20 anos, pode muito bem passar pelo adversário na próxima fase, pois tem mais 'camisa'. Time por time, até que a briga é parelha, pois a Celeste Olímpica não está lá muito bem representada, tendo em vista sua história ludopédica. Convenhamos, faz tempo que não surge nada realmente bom ao sul do Rio Grande em termos de trato com a bola. Lugano foi um bom expoente, mas faz tempo que joga. Forlán, quem sabe, pode até vir a se destacar, mas dependerá de muita boa vontade das zagas que enfrentará, pois estará sozinho.

20 junho 2010

É, jogamos!

Eslováquia 0x2 Paraguai
Os vizinhos se aproveitaram da melhor organização e mandaram no jogo. Sem xepa. Encarou o jogo como decisão, foi para cima e conseguiu o resultado. Já que os eslovacos não têm futebol mesmo, arriscar o ataque era uma boa pedida. Alternaram momentos de sono com rompantes de entusiasmo e fizeram um jogo mediano. Bom para os latinos, que vêm bem na Copa.
Itália 1x1 Nova Zelândia
A Itália manteve a sina de não ganhar em 2010. Contra a fraquíssima Nova Zelândia, pecaram sucessivamente e suaram para encontrar o caminho do gol. Levaram um de bobeira e tiveram que corrrer atrás contra uma defesa enclausurada. Como nós, eles também têm dificuldades em fazer gol. Acharam um e conseguiram minimizar a catástrofe, embora o desempenho, até agora, esteja pífio.
Brasil 3x1 Costa do Marfim
Pois não é que até jogamos bola? Esperava-se um jogo mais difícil, verdade. Os marfinenses não souberam aproveitar os espaços que demos e levaram um baile. Com a bola no pé, não tem como eles competirem conosco. Apesar da fraca atuação de Robinho, Luís Fabiano e Kaká melhoraram e deram a tônica do jogo. Aliás, o centro-avante fez um golaço digno de nota, a despeito da mão amiga. Kaká procuro encrenca e maculou sua atuação com o vermelho. Como Felipe Melo e Gilberto Silva, acreditem, não comprometeram, anulou-se uma grande fonte de preocupação - o que ajudou em muito o nosso lado.
A nota de crítica fica para o comportamento do Dunga na entrevista coletiva. Como sempre, o treinador raivoso culpa a imprensa de modo arrogante e belicista. Os sussurros de xingamentos e palavrões não combinam com a postura que se espera de uma figura pública, sujeita à exposição contínua. Lamentável um cidadão que se considera patriota comportar-se de forma tão baixa e truculenta.
Outras...
Na França, o clima conseguiu piorar. Agora, o capitão da equipe, o lateral-esquerdo Evra, desentendeu-se com o preparador físico Robert Duverne. Depois do atrito, os atletas cancelaram as atividades e se reuniram com o técnico Raymond Domenech no ônibus da delegação, com cortinas fechadas. Fedeu! O diretor da Federação, Jean Louis-Valentin, pediu demissão, afirmando que os jogadores não querem treinar. A França tem apenas um ponto conquistado no Grupo A e está em situação delicada. Na última rodada, os franceses enfrentam a África do Sul precisando vencer por uma boa diferença de gols e torcer para que Uruguai x México não termine empatado. Nada fácil! Ah, as palavras de Anelka, segundo a imprensa, teriam sido "Vá dar o cu, viado filho da puta". Fino, não?

19 junho 2010

Piorou...

Se a Copa ameaçava melhorar, botaram água no chope. Os jogos pioraram, acomodando-se , com freqüência, naquele limbo do 'jogo estudado', que é um eufemismo para 'retranca à espera de um contragolpe'. Uma baita decepção para quem gosta de futebol. Deveria ser um esporte praticado para agraciar a plateia com a maestria que os melhores atletas podem proporcionar. Mas, o que se vê é uma postura padrão de privilegiar os 3 pontos em detrimento do ludopédio. A tática sobre a criatividade. Lembra o velho debate do 'jogar bonito e perder x jogar feio e ganhar', como se não pudesse jogar bonito e ganhar! É... A derrota em 82 custou caro ao futebol mundial, não só à torcida tupiniquim.
Por isso que não dá para torcer pelo 'time do Dunga'. Eles praticam algo que difere substancialmente daquilo que aprendi a apreciar como esporte e como arte. O 'ganhar' por ganhar, não me basta. Tem de ganhar jogando bem. Aliás, tem de jogar bem, o ganhar vem como conseqüência. Se não vier, oras, não veio!
A França deu vexame frente ao México e deve voltar logo para casa sem passar da primeira fase. Merecido, já que roubou essa vaga com o gol de mão de Henry. O ambiente interno ficou péssimo. Domenech ameaça tirar Anelka do elenco, mas Henry e Ribéry se solidarizam com o atacante. Tá feita a cagada. Os irlandeses é que devem estar comemorando pacas.
O Alemanha também vinha no embalo da boa estreia mas já sucumbiu no segundo jogo e marcou a segunda zebra da Copa. Uma pena. Parece que deu tudo errado para o time alemão.
O English Team foi outro que não mostrou absolutamente nada de bom no jogo contra a Argélia. Um empate para lá de sonolento. Lampard, Rooney, Terry, Cole... Ninguém se acertou em campo. Fosse a Argélia um pouquinho melhor, um Coxa da vida, os ingleses teriam levado uma sova.
Quem mostrou jogo, gostemos ou não (na verdade, não!), é a Argentina. Los hermanos cumpriram bem seu 'script' contra a Coreia do Sul e enfiou 4 na sacola deles. Higuaín desencatou e o time se torna o primeiro a confirmar o favoritismo.
O Uruguai melhorou significativamente. Não que tenha se tornado um time bom, não. Mas, pelo menos, conseguiu se entender em campo. Meteram 3 nos anfitriões e despacharam o primeiro time africano. Os jogadores sulafricanos verão a Copa pela TV. Forlán marcou o seu e faz as pazes com a bola. Mas, acho que esses voltam logo.
Uma certa surpresa casou a Grécia, ao virar o jogo contra os nigerianos. Os crioulos pareciam que iriam golear, mas amarelaram muito feio. Os gregos, por sua vez, até conseguiram alguma organização em campo, com que aproveitaram bem a superioridade numérica que Kaita, tolamente, concedeu ao adversário. Marcaram seus primeiros gols em Copas e a primeira vitória. Baita conquista.
A arbitragem, que começou bem, já aprontou das suas. EUA e Alemanha já se sentem prejudicados pelo apito, afinal, o que seria o terceiro gol americano teria sido surrupiado e a expulsão de Klose teria sido anormal. De qualquer modo, erros de arbitragem são um pouco mais frequentes em Copa do Mundo, dada a diversidade de árbitros com conhecimentos e interpretações distintas do jogo.
Camarões 1x2 Dinamarca
Os crioulos entram como favoritos, mas a Dinamarca cria a melhor chance aos 6min, com Rommedahl. Aí, numa besteria descomunal da zaga escandinava, Eto'o marcou o seu, finalmente. O atacante-vedete de Camarões lavou a alma e ganha munição para atacar seus críticos - entre eles, o imortal Roger Milla. Mas pouco fez em campo, mostrando evidentes sinais de, digamos, pouca disposição física. Os dinamarqueses não se mixaram e empataram com um golaço, a partir de um ótimo lançamento de Kjaer, lá da zaga, ao melhor estilo do que eu costumo fazer em campo. Rommedahl entra na área pela direita, cruza, Bendtner se estica e desvia para empatar. E viraram em mais uma jogada veloz de Romedahl pela direita, batendo bem de canhota. Dois golaços dignos de nota em um jogo movimentado e até divertido. Mas, como disse o diário 'Lance': "Assassinaram Camarões".

16 junho 2010

Primeira rodada

Espanha 0x1 Suíça
Surgiu, finalmente, a primeira zebra da Copa. Em jogo parecido com o nosso, La Furia enfrentou um ferrolho que não se abriu, só que teve o azar de levar um gol acidental e saiu prejudicadíssima nessa primeira partida, além de perder a invencibilidade de 12 jogos. Apesar da retranca suíça, a Espanha chegou a criar boas oportunidades de gol - melhor até que nós, mas pecou seguidamente nas finalizações. O tal do Torres capengou em campo, sem conseguir se entender com a bola. A Suíça se limitou a esperar o empate e saiu com um baita lucro. Fosse a Espanha um pouco menos azarada e um pouco mais ligeira nas trocas de bola, poderia ter conseguido seu gol. Claro que o resultado foi bastante ruim, mas o jogo da Espanha, nem tanto. Perdeu, mas tem futebol.
África do Sul 0x3 Uruguai
Os Bafana-Bafana tomaram um abafa dos cisplatinos e ficaram com o gosto amargo da vuvuzela na boca. O Uruguai mostrou um joguinho ligeiramente melhor, mas o mérito é da fragilidade do time anfitrião - se bem que a França também não era lá essas coisas. Ainda assim, é triste ver um time antes garboso reduzido a esparsas jogadinhas casuais. Nada de tabelas, dribles ou combinações entre os jogadores. Dos africanos não se esperava muita coisa mesmo. É na base da vontade e do entusiasmo. Só. A marca estatística ficou pela expulsão do goleiro sulafricano - a segunda da história das Copas.

Generalidades
Nessa primeira rodada, só Alemanha, Brasil e Argentina mostraram futebol e resultado. Destes, acho que a Alemanha foi melhor sucedida, pois veio com um time todo novo e desfalcado. As rodadas seguintes tendem a mostrar as equipes menos nervosas, mais sedimentadas. Acredito que a Espanha mostre mais jogo, que Portugal melhore o padrão e que a Itália até chegue a jogar. De resto, sem surpresas. Destaque para uma arbitragem convincente.

15 junho 2010

Ora, pois...

Costa do Marfim 0x0 Portugal
A julgar por este jogo, não temos o que temer. Dois times limitados e confusos. Pelos patrícios, só o manequim resolveu jogar bola - ou, pelo menos tentou. Deco, talvez sentindo o peso da responsa de poder vir a jogar com a camisa mais bonita do Brasil, quiçá do mundo, já teve uma atuação apagada, quase omissa. O resto do time, meros figurantes. Do mesmo modo, os africanos só tinham o Merdba. O resto, entrou em campo para compor os 11. Como resultado, tivemos um jogo travado, com raros lampejos de lucidez e brilho. Muito pouco para dois times considerados como adversários respeitáveis.
Brasi 2x1 Coreia do Norte
Expectativa de goleada brazuca em cima dos amarelos, claro! Pena que não aconteceu. Os chinas jogaram com 22 dentro da área ebrigando para se defender. Claro que o nosso time podia ter jogado melhor, com dever de impor uma sova nos coreanos, mas também não foi tão ruim. Jogar contra uma defesa fechada complica para qualquer um - quem conhece dentro das 4 linhas, como eu, sabe disso. Mesmo não tendo desempenhado um baita futebol, nosso time cumpriu seu papel mínimo, sem ter se apresentado mal. Assim, valeu pela estria e pelos 3 pontos. Mas Dunga tem de começar a pensar em como mexer no time. Daniel Alves é um nome que sempre aparece bem e não merece a cerca. G Silva é pouco exigido e, quando aparece, não é dos mais confiáveis. De resto, nossa defesa foi bem, quando raramente exigida. Mesmo o gol tendo sido uma bobeada, os defensores são seguros. E Robinho mostra que pretende ser o nome da Copa. Veremos...

14 junho 2010

Mais do mesmo

Holanda 2x0 Dinamarca
Sobrou organização e faltou futebol nesse jogo. Tudo certinho, tudo como manda o manual. Ataca velozmente, defende em bloco, abre nas pontas, tabela no meio, toca a bola... Mas tudo sem inspiração. Pareceu-me que a Holanda estava ainda meio adormecida, sentindo o ambiente, querendo se inteirar do que acontecia. A Dinamarca não ofereceu a menor resistência e nem ameaçou. Parece que só jogou futebol em 86. Talvez a falta de Robben tenha prejudicado a Laranja, mas esperava mais de Sneijder e cia, que agora somam a incrível marca de 20 jogos sem perder. Ganhou mas não convenceu. Ou talvez eu seja apenas um saudosista do futebol-arte...
Japão 1x0 Camarões
Jogo de baixas expectativas, a não ser pela correria que os times poderiam apresentar e a presença de Eto'o, que é bem melhor que o Obina. A jogada logo no começo do segundo tempo mostrou que ele pode decidir. Os crioulos, mais fortes e um pouco melhores no trato com a esfera, pecaram muito na troca de passes e na organização em campo. Não entendi o Eto'o isolado na ala destra Melhorou muito quando passou a circular mais pelo meio. E aquele Moting deu motivos para amotinação no elenco, de tanto que atrapalhou. Os comedores de sushi tiveram melhor postura em campo, mas também pecam ao chamar a bola de Vossa Excelência. Enfim, um jogo de equipes amadoras, por assim dizer. Tanto que o gol japonês saiu graças a uma mancada fenomenal da zaga camaronesa, que deixou o costado livre para Honda marcar - e sem recall.
Itália 1x1 Paraguai
Jogo de equipes defensivas, com histórico de ferrolho atrás e ofensividade em segundo plano. O Paraguai só queria saber de mandar chutão para frente, à là Adel, em detrimento do toque para construção das jogadas. O jogo foi um tanto amarrado, com muita trombada e encontrão, justificando os gols mequetrefes que as equipes conseguiram marcar. Mas acho que a Itália dará mais trabalho que imaginava, pois ainda conseguem colocar o melão no chão e pensar em alguma jogada. Pena que careçam de atacantes mais lúcidos. Esse Gilardino é um trapalhão.

13 junho 2010

Dias melhores

Argélia 0x1 Eslovênia
Joguinho. Ambos ainda não se entenderam com a redonda e foi difícil vencer o sono dessa manhã dominical para acompanhar esses perebas apanhando da Jabulani. Em mais um jogo do grupo C, o goleiro comprometeu seu time. O excêntrico Faouzi Chaouchi, camisa 16 nas costas, cabelo descolorido e lateral da cabeça raspada, camisa e meião roxos, luvas amarelas, chuteira lilás com detalhes em laranja, calças... Destacou-se somente pelo visual excêntrico, já que em ação falhou no gol da Eslovênia, marcado pelo meio-campista Robert Koren. E pensar que Chaouchi quase não pôde entrar em campo, já que na semifinal da última Copa Africana das Nações, em janeiro passado, deu uma de Zidane e enfiou uma cabeçada no árbitro Codjia Koffi, sendo expulso na derrota por 4 a 0 para o Egito,e suspenso pela Fifa de participar da abertura do Mundial - decisão revista depois pela entidade.
Sérvia 0x1 Gana
Outro jogo de baixo nível técnico, embora a atuação de Gana tivesse uma expectativa de melhor gabarito. Só a correria dos africanos não foi capaz de articular uma jogadinha que fosse, um bom trato à bola, que merecesse uma menção honrosa. O jogo valeu pelo dado estatístico de ser anotado o primeiro gol de um atacante na Copa 2010 - Asamoah Gyan, de pênalti, depois de 624min de bola rolando em 6 jogos.
Alemanha 4x0 Austrália
Finalmente um jogo de gente grande. Apesar de a Austrália ameaçar 'o' Alemanha logo aos 3min numa cobrança de escanteio, o que se viu foi um time alemão rápido e perigoso, que logo envolveu com certa facilidade os 'socceroos'. Um desempenho digno de time de primeiro escalão e mais um gol do artilheiro Miroslaw Klose - o 'Sr. Copa', que joga um futebol meia-bomba, comparável ao Washington, pois perde umas jogadas de modo tosco. Claro que a fragilidade do time oriental ajudou, mas ozalemão fizeram o dever de casa e mostraram que vieram com força para a Copa, metendo os cangurus na roda e fazendo um placar amplo, confirmando seu favoritismo, a despeito da desconfiança.