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27 janeiro 2013

Revelando jovens jogadores

O Santos se sagrou campeão da edição 2013 da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a famosa "Copinha", competição na qual se apresentam as jovens promessas dos times. Craques como Kaká, Rogério Ceni, Falcão, Neymar e Dener, dentre outros, foram revelados nesse certame, cuja principal finalidade é de revelar valores. Porém, estranhamente, a maior vitrine para revelações do nosso futebol, criada em 1969 por iniciativa da prefeitura de São Paulo, não conta com o apoio dos clubes e da CBF em sua organização e realização. Talvez por questões políticas, a CBF criou, a partir de 2006, o "Campeonato Brasileiro de Futebol Sub-20", que é disputado somente por clubes pertencentes a série A do Campeonato Brasileiro, dividindo espaço com a Copinha. Devido a isso, a partir de sua 41ª edição em 2010, a Federação Paulista de Futebol (FPF), que é quem organiza a competição, admite times formados por atletas pertencentes à categoria sub-19 e passa a chamá-la de "Copa São Paulo de Futebol Sub-19" - apesar de usar jogadores sub-20.
Ou seja, nem na hora de organizar o modo de expor e gerar seus principais ativos, que são os jogadores da base, os clubes conseguem se entender. É impressionante a incapacidade de organização dos nossos clubes e da CBF. Não que isso seja alguma novidade, mas quando o assunto é dinheiro (= sobrevivência), imaginava-se que a lógica poderia falar mais alto. Enganei-me.
Já na Inglaterra, uma alternativa foi usar a Segunda Divisão para revelar os novatos, já que a sala de cima, a famosa "Premier League", é ocupada, cada vez mais, por jogadores formados mundo afora, contratados a peso de ouro para brilhar nos gramados britânicos. Com isso, é de se imaginar que os times da elite da Inglaterra dispensem a formação de atletas, abandonando o que se entende por aqui como "clube" e se tornando, definitivamente, uma empresa, com seu negócio e forma de gestão voltada ao interesse maior, o lucro. Nada de errado nisso, claro. Apenas um modelo bastante diferente do daqui, que, aliás, não é lá muita referência.
Tom Ince é uma das joias do futebol inglês (Foto: Divulgação)
Garotos de ‘segunda’ são o futuro da Inglaterra (aqui)

25 janeiro 2012

A decisão da Copinha

A decisão da Copinha foi emocionante. Um jogão de bola, digno de menção. Corinthians e Fluminense jogaram em busca do gol, arriscando. Casa cheia, já que era feriado em Sampa, torcida praticamente toda a favor dos anfitriões no Pacaembu. Mesmo assim, o Tricolor foi superior na maior parte do jogo, segurando o ímpeto do time paulista com afinco e controlando o jogo. Até os 15min, só dava Flu. O Corinthians melhorou a partir daí, mas o time carioca ainda criava as melhores chances. Destaque no Tricolor para a meiúca, com Eduardo e Higor. No Corínthians, jogou bem o tal do Gomes (se não me engano no nome), um crioulo forte pacas, e, claro, o zagueiro Antônio Carlos, que marcou os dois gols alvi-negros. Por ironia, jogador das bases Tricolores, dispensado há uns 5 anos. Depois de abrir o placar, o Tricolor continuou melhor, jogando no contra-ataque com categoria. Porém, duas bobeadas da zaga deixaram o Corinthians balançar as redes.
A discussão ficou por conta do dirigente da CBF, José Maria Marin, de 79 anos, ex-vereador, deputado estadual e governador de São Paulo, também foi jogador do São Paulo e presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), que embolsou uma das medalhas durante a premiação. Claro que a FPF correu informar que a medalha foi um presente do presidente Marco Polo Del Nero, mas, convenhamos, as cenas não dão esse entendimento... Veja aqui o vídeo.

24 janeiro 2012

Recomeço

Em ritmo pré-carnavalesco, o futebol começa a aparecer na telinha.
Na Copinha, os maiores ganhadores, Flu e Curínthia, fazem a decisão na quarta, no ingrato horário das 10h. Bem, ingrato para quem tem que ralar, óbvio. Será o jogo dos melhores times, do pouco que se pôde acompanhar da competição. Embora os mais entusiastas das Terras dos Pinheirais imaginassem uma final paranaense com a dupla AtleTiba, as equipes não foram páreo para seus adversários das semifinais. O Trétis levou uma sova sem tamanho do Timão, que enfiou 6x0 (como diz o Cleiton, placar de tênis) no rubro-negro da Baixada, num jogo que o Furaquinho não fez seu papel. Não jogou. Assistiu a partida dentro de campo. A defesa ficou atabalhoada e o time desmontou com os 2x0 logo nos primeiros minutos de partida. Resultado, passeio corinthiano. Na outra semifinal, o Flu teve mais trabalho, mas superou o Coxa por 4x0. Mas não foi tão moleza assim, pelo menos no início do jogo. Até abrir o placar, o Flu esteve ligeiramente melhor, com certa pressão coxa-branca à meta Tricolor. O gol de Marcos Júnior abriu a porteira e o caminho se pavimentou naturalmente até à final. Penso que o Corinthians é o favorito, pois o time tem atropelado os adversários nessa reta final, com volume de jogo e personalidade. Veremos.
Nos Estaduais, poucas surpresas. A exceção foi no Sul, onde Inter e Grêmio perderam na estreia. O Grêmio, em pleno Olímpico, levou um baile do Lajeadense e tomou 2 na sacola. O Inter, por sua vez, até saiu na frente com 2x0, mas levou a virada do Avenida. De resto, sem surpresas: os grandes confirmaram o favoritismo e levaram 3 pontos, mesmo quando jogaram com seus reservas - notadamente no Rio. O Coxa começa a sonhar em repetir o feito do ano passado, quando venceu a rodo e impressionou com a volúpia da equipe em campo. Mas acho que as águas passadas não voltam mais - acabou o encanto e o time não é mais o mesmo. O Trétis, jogando em Ponta Grossa, aposta na recuperação junto à torcida depois do fiasco no Brasileirão 2011. Enquanto isso, o Paranito, com Ricardinho no papel de técnico, acompanha tudo pela TV...
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Paranito no Estadual

15 janeiro 2012

Copinha

Férias são uma coisa boa. Servem para relaxarmos das agruras diárias, aliviar o tal do "estresse" e curtir momentos com família, amigos. Mas há duas coisas muito chatas em férias: i) acabam; ii) não tem futebol na TV. E, convenhamos, ficar sem futebol na televisão nos leva a questionar a utilidade desse fabuloso equipamento doméstico. Se não for para ver futebol, para que serve? Para ver novela ou BBB é que não. Notícias podem ser vistas na internet ou nos jornais impressos. Mas o futebol, bem, esse ainda é melhor visto na telinha. E nesses períodos de seca ludopédica tudo fica mais chato, mais enfadonho. Mesmo as reuniões de amigos ficam mais curtas, já que o tema principal está escasso. Ainda bem que há iniciativas como a Copinha, oficialmente denominada "Copa São Paulo de Futebol Júnior", que reúne 96 equipes Brasil afora. Disputada desde 1969, acontece geralmente no início do ano, de modo que a final seja disputada perto do aniversário da cidade de São Paulo (25 de janeiro). As duas primeiras edições foram disputadas apenas por clubes do estado de São Paulo, mas, a partir de 71, passou a receber clubes de todo o Brasil. Desde então, a Copinha é um torneio muito observado por imprensa, torcida, empresários e clubes, uma vez que é considerada a principal oportunidade para se descobrir futuros craques do futebol brasileiro. Originalmente a competição era chamada de Taça São Paulo de Juniores e organizada pela Prefeitura de São Paulo. Em 87, o então prefeito Jânio Quadros, muito lúcido, como sempre, decidiu não arcar com a Taça São Paulo, que não foi realizada naquele ano e passou a ser organizada pela FPF. O Corinthians, primeiro vencedor da disputa, é o clube que mais venceu o torneio, com 7 canecos. O Paraná é o único estado do Sul que ainda não teve um time vencedor. E o Bahia é o único time do NE que já chegou a uma final.
Só em quatro anos os times paulistas não estiveram presentes nas finais. Nestas ocasiões houve confrontos entre Fluminense x Botafogo em 1971; em 1980 entre Internacional x Atlético Mineiro; em 1996 entre América-MG x Cruzeiro; e em 2011 entre Flamengo x Bahia.
As equipes que passaram a primeira fase de grupos disputam eliminatórias em jogos "mata-mata", até que se chegue ao jogo final. Até aqui, algumas equipes respeitadas como São Paulo e Framengo - este, aliás, campeão da edição anterior, caíram logo na primeira fase, enquanto outras, como Corinthians, Fluminense e Palmeiras, seguem firmes rumo ao título. Palmeiras, que, vale a ressalva, é o único "grande" de SP que ainda não ganhou uma Copinha. Com um time forte, é reconhecido como um dos principais candidatos ao caneco de 2012.
Ainda que não seja um primor técnico, a Copinha é um razoável aperitivo e um belo alento aos amantes do mais popular esporte do mundo, que pelo menos têm uma justificativa plausível para ligar sua televisão, abrir uma cerveja, um pacotinho de amendoins (pipoca, pistache ou caju também valem) e mandar a mulher parar de amolar.
É interessante ver a gurizada aparecendo na Copinha e acompanhar sua trajetória rumo ao "time de cima", onde podem mostrar o que aprenderam. Gente como Neymar, Falcão, Lucas, Cafu, surgiram na Copinha e conquistaram seu lugar no cenário mundial.
Ainda que eu vá ouvir reclamações, acho que a Copinha é melhor que o Campeonato Paranaense...
Os jogadores do Fluminense se reúnem para uma última corrente antes da partida  Foto: Mauro Horita/Terra
Flu vence mais uma; despacha o Bahia e segue na Copinha.