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14 novembro 2013

Os reis do vacilo

O Campeonato Brasileiro já tem seu campeão na Série A, definido com 4 rodadas de antecedência, corroborando a impressão do fraco nível técnico desta edição. O Cruzeiro manteve o ritmo e, a rigor, fez o suficiente para se destacar, contando também com os tropeços dos concorrentes diretos, como o Botafogo, o Grêmio e, às vezes, o Trétis. Com mais esse título, o time das Minas Gerais confirma a façanha de ser o único fora do eixo Rio-São Paulo a levar o caneco na era dos pontos corridos, somando 3 conquistas nacionais. Decidido o endereço da taça, a briga agora é para ficar no G4, onde o Fogão sempre esteve até essa rodada, deixando a vaga para o embalado Goiás. E o pau come solto mesmo é na ZR. Com o Náutico rebaixado, sobram 3 vagas que estão em séria disputa. A Ponte leva vantagem na briga e deve ficar com a segunda forca. Nas outras duas, Vaishco, Bahia, Criciúma e o rei do vacilo, o Fluminense, disputam palmo a palmo, seguidos não muito de longe pelo Coxa - seco para beliscar um vexame. O destaque é o Flu, atual campeão, que pode inaugurar o enredo do campeão rebaixado. Seria uma estreia nada honrosa para o time da camisa mais bonita do Brasil, quiçá do mundo, mas o histórico recente não tem ajudado. Depois de dispensar Abelão precocemente em um período infeliz, o time contrata o falido, atrasado e (PQP!!) framenguista Luxemburgo para tocar o time. Deu o que todo mundo já sabia, menos a Unimed: o time não rendeu e se perdeu. Aí, como "solução", chamam Dorival Júnior para tapar o buraco. Receita seguida por 99% dos times rebaixados...
Na Série B, o Palmeiras, já com a vaga de acesso assegurada, ainda não garantiu o título, mas precisa de 1 ponto em 3 jogos. Mole. A decepção fica por conta do Paranito, que vinha bem até a reta final, quando derrapou e perdeu o controle, deixando escapar a vaga no G4. Caído para a 10a. posição, o clube agora torce por um milagre, mas não um qualquer, um baita milagre, para poder ascender à Primeirona. Pena...
O Flu de Luxeba não funcionou...
Foto: Daniel Ramalho/Terra

01 julho 2013

E não é que levamos?

Verdade seja dita, Felipão montou um time. E o fez jogar! Mesmo com suas idiossincrasias, com sua afeição à marcação brucutu, sua insistência com Hulk, o motivador Luís Felipe Scolari chegou lá. Não só levou a Copa das Confederações, como o fez de modo soberbo, sem dar chances à outrora favoritíssima e impecável Furia. Campanha de campeão, invicto, ganhando todas e amealhando várias premiações individuais, com Paulinho, Neymar, Fred e o resgatado Julio Cesar. Não que o time seja perfeito, claro, mas, temos de convir, fez um belíssimo papel na competição. E esnobou o adversário na final, destronando-o e derrubando várias marcas espanholas: a seleção espanhola não perdia uma partida desde 10ago01, quando os comandados de Del Bosque caíram diante da Itália, em Bari, em amistoso. Em jogo oficial, o último tropeço é ainda mais antigo: na Copa do Mundo da África do Sul, perderam para a Suíça, por 1 a 0. A Espanha também não recebia três gols numa partida oficial desde 06set06, quando perdeu da Irlanda do Norte, por 3 a 2. Em relação à diferença de três gols, a última vez que os "rojos" perderam por tamanha diferença numa partida oficial foi em abril de 1985, quando caíram para o País de Gales pelo mesmo placar dessa final. Se levar em consideração apenas a era Del Bosque, a goleada brasileira ficou próxima dos dois resultados piores da equipe com o treinador, que foram um 4 a 0 para Portugal, em Lisboa, e um 4 a 1 para a Argentina, em Buenos Aires, em amistosos disputados antes da conquista da Copa de 2010. O triunfo da Seleção Canarinho derrubou ainda outros números: a expulsão de Piqué termina com um ciclo de nada menos do que 91 partidas em que um jogador da Fúria não recebia cartão vermelho. Foi a segunda expulsão em 13 anos, já que a anterior foi de Xabi Alonso diante da Islândia, em setembro de 2007. A equipe de Del Bosque estava perto de quebrar um recorde, já que entre os anos de 1925 e 1965, a Espanha chegou a ficar 134 partidas sem expulsões. Ainda, seis jogadores diferentes bateram os últimos sete pênaltis da equipe no tempo normal: Xabi, Villa, Soldado, Cesc, Torres e Sergio Ramos. Das sete cobranças, quatro erros e três acertos. Sob o comando do técnico Del Bosque, foi o 10º erro em 22 cobranças de pênalti. Para finalizar, o Brasil ainda manteve a posse de bola por mais tempo que a Espanha, naquele que é o indicador mais conhecido e que dá a cara ao "tiki-taka" que caracterizou o futebol atual: 51% Brasil contra 49% Espanha. Tá, é pouco, mas ninguém ainda tinha feito...
Também vale dizer que essa conquista, embora dê alento, não define nada para a Copa do Mundo, o evento principal, que se dará em plagas tupiniquins no ano que vem. Até lá, temos que corrigir alguns defeitos, como fazer o Oscar jogar, testar Lucas, ver se Hernanes não cabe no lugar do Luiz Gustavo e detalhes assim.
Já temos estádio, já temos time... Falta ajeitar o resto do país em volta disso.
Será que o Marin roubou outra medalha?
Foto: Daniel Ramalho/Terra

12 julho 2012

Não deu!

O Coxa ficou no quase pela segunda vez consecutiva. Acho que a do ano passado foi mais doída, pois ficou no quase, por um fio, por um pentelhésimo de fio de cabelo. Um gol a mais ou a menos. Desta feita, foi mais previsível. O 2x0 em Barueri não estava no roteiro. Tampouco as reiteradas falhas da arbitragem no jogo de ida. Uma pena mesmo. Principalmente por terem de ouvir a zoação com a cabeça inchada dos rivais - ainda que estejam piores na fita. Não à toa, já chamam o Coxa de "Vasco da Gama das Araucárias". Pura maldade.
O preocupante, penso, é a reverberação dessa perda. Vão cobrar o técnico, a Diretoria, o time. Claro. Só espero que os responsáveis não se deixem abalar e mantenham o prumo, que tanto tem levado o Coxa ao bom caminho. Não é à toa que o time chegou bem às duas finais e que é tricampeão paranaense.
Também não quer dizer que não se possa zoar, né?

05 julho 2012

Acabou!

Ao que tudo indica, os maias tinham razão. Seu calendário acaba em 2012 e uma estranha série de eventos terríveis parecem estar convergindo para nos falar sobre a destruição da humanidade neste ano. Até um ciclo solar, que terá seu pico em 2012, trará tempestades solares que podem nos deixar na escuridão por meses. Durante este período, o caos se instauraria em várias partes do mundo. E, ao que tudo indica, isso já começou... Vários eventos estranhos, de natureza terrível, pipocam.
Primeiro, o "Sapo Barbudo" resolveu se aliar ao principal discípulo do "rouba mas faz" e foi render-lhe loas com fins eleitorais bastante duvidosos. E, agora, o Curíntia se sagra campeão da Taça Libertadores da América, roubando boa parte dos motivos de piadas dos rivais. Sinais bastante fortes para nos chamar a atenção, em clara mensagem de que nada mais falta acontecer. Chegamos ao fim da jornada terrestre. Outros tempos, não haverá. Nada mais de "até amanhã" ou "deixa prá depois". O mundo acaba em 2012.
Corintianos se penduram nas grades da arquibancada para acompanhar a decisão da Libertadores contra o Boca Juniors  Foto: EFE
O fim do mundo!
Foto EFE

14 maio 2012

É campeão!

Vários campeonatos estaduais se decidiram nesse final de semana. Os principais, aliás.
No Rio Grande do Sul, o Inter bateu o Caxias depois de acordar e reagir ao que parecia ser mais um fiasco colorado, somando-se ao do Mazembe. Mas, o time lançou mão de D'Alessandro e Dagoberto para se levantar na segunda etapa e virar o jogo, confirmando o favoritismo e ampliando a vantagem sobre o arqui-rival com 41 canecos gaúchos - contra 36 do Grêmio.
Em Minas Gerais, o Galo sagrou-se campeão invicto contra o América, depois de assistir ao fiasco Cruzeirense no certame estadual e na Copa do Brasil. O time não se sagrava campeão invicto em Minas havia 36 anos. Coincidentemente, o Galo também tem 41 títulos estaduais contra 36 do Cruzeiro - a numerologia explica esse fenômeno. O título pode sair caro para o Galo, já que sustenta a permanência de Cuca no galinheiro.
No Paraná, o Coxa bateu o Trétis apenas na disputa por pênaltis, depois de um joguinho modorrento, e levou o caneco pela terceira vez consecutiva - repetindo o feito de 39 anos atrás. Claro que a coxarada vai e deve comemorar, mas sempre é sem-graça levar um título nessas circunstâncias. Faltou futebol à dupla AtleTiba. De qualquer modo, o Coxa mantém larga folga, com 36 títulos conquistados, contra 22 do Furaquinho. Petraglia vai ter de suar para arranjar argumentos contra os coxas.
Em São Paulo, o Peixe enfiou 4x2 no Guarani e também faz o "tri", após 43 anos. O último tricampeão foi o mesmo Peixe, na era Pelé, em cima do maior rival à época, o Palmeiras. Agora, o Santos empata com o São Paulo em número de títulos (20), enquanto o Curíntia lidera com 26. E o time de branco volta suas atenções à Libertadores.
No Rio de Janeiro, o Fluminense levantou o caneco após 7 anos de intervalo e soma 31 títulos - contra 32 do Framengo. Apesar do título, a preocupação ronda as Laranjeiras, pois Deco sentiu dores e foi poupado, levantando dúvidas sobre sua participação no primeiro jogo pelas quartas-de-final na Libertadores. Isso porque Fred e Wellington Nem, peças importantes no esquema de jogo Tricolor, já estão no DM!
Agora, jogo emocionante mesmo foi na Inglaterra, Manchester City x Queen's Park Rangers, na última partida do campeonato. O Manchester precisava vencer para levantar a taça depois de um jejum de 44 anos. E tudo ia bem, até que o QPR resolveu aprontar e virou o jogo para 2x1, com um homem a menos, mantendo o resultado até aos 45min da segunda etapa. Aí, como num roteiro de filme americano, o Manchester fez dois gols relâmpagos, na base da raça, e fechou o placar nos estertores da partida. Emocionante!
Os coxas ironizaram o chororô atleticano - e com razão.

23 junho 2011

A América em branco e preto

O Santos Futebol Clube levou o terceiro título da Libertadores ao vencer o Club Atlético Peñarol e a geração Ganso/Neymar supera a de Diego/Robinho na história do clube, consagrando-se definitivamente e entrando para o cenário mundial. Afinal, a partida mais esperada do ano passa a ser a possível disputa pelo título do mundial entre os dois clubes mais badalados do momento: o Barça, reverenciado pelo mundo todo, e o Peixe, badalado na terra do principal expoente do ludopédio planetário. Dificilmente haverá um Mazembe no caminho do time brasileiro, já que a lição foi dada e espera-se que tenham aprendido. Porém, a questão é se o time se mantém até lá, pois o assédio sobre os craques aumentará e Ganso até já avisou que pretende sair. Neymar pai disse que o filho fica, mas veremos se repete isso diante de uma bolada de verdinhas na fuça.
Santos e Barça representam hoje, guardadas as proporções, o futebol mais artístico, mais lúdico, onde há espaço para o chamado "bom futebol", não tão pragmático, mas sem perder a objetividade. Bom para o futebol, que passa a ter bons modelos a seguir, pois são times vencedores além de virtuosos. Será a final da América em branco-e-preto contra a Europa em grená-e-azul.
O Santos fez uma boa campanha, facilitada pelos adversários não tão fortes, sobretudo na final, quando o ardido Vélez sucumbiu ao aguerrido (e pouco ofensivo) Peñarol. Deportivo Táchira, Cerro Porteño e Colo-Colo foram os adversários no Grupo 5, América do México o adversário das oitavas e o Once Caldas o das quartas de final. Voltou a enfrentar o Cerrro nas semi e chegou à final contra o Peñarol. Após um primeiro jogo fraco, de placar inalterado, o segundo, em casa, foi melhor. Pudemos ver a ampla superioridade do time brasileiro frente à limitação da equipe uruguaia, que se restringiu a explorar as bobeadas do time brazuca. Quando este se encontrava, virava jogo de ataque contra defesa. E o destaque santista foi o trio Ganso-Neymar-Arouca. Ganso é o coordenador da equipe, o cara que levanta a cabeça e põe a bola no lugar certo para que a jogada apareça, o cara que orienta o time e é a referência para os demais. Quando ele joga, o time tem personalidade e arte. Neymar é o astro, o cara que dribla, aparece, vai prá mídia, marca gols e incomoda mais que sapato apertado. Foi o principal jogador da campanha santista e é o mais visado na marcação. Arouca é o carregador de piano que sabe tocá-lo. Marca, mas sai bem para o jogo. O gol de Neymar na final é o exemplo típico dessa harmonia: Arouca rouba a bola, avança e toca para Ganso, que devolve num toque magistral, criando a jogada para Arouca, que rola a bola para Neymar concluir. Estava aberta a porta para o terceiro título sulamericano do Peixe.
Muricy também sai como vencedor, mais uma vez. Ao ganhar um torneio regional, acaba com o estigma que parcela mais ranheta da mídia e da torcida ainda teimava em manter. Depois de um fracasso com o São Caetano e três com o São Paulo, Muricy leva o caneco e hoje, é, sem dúvida, o treinador mais respeitado no futebol, alcançando o patamar de Luxeba dos tempos de Palmeiras - mas acho que com mais caráter (também, não precisa de muito para isso) e mais estofo que o comedor de manicures.

PS
* alguém me explica como um imbecil desses é eleito vereador?
* texto-verdade de Aírton Cordeiro

06 dezembro 2010

Das 3 cores que traduzem tradição

Em 12abr61, o major soviético Yuri Gagárin realizava o primeiro voo orbital de um ser humano. De lá, a 7 km de altitude, com panorama privilegiado, pôde vislumbrar o planeta de forma até então impensada e pronunciou a célebre frase: 'A Terra é azul'. Realizasse hoje a mesma viagem, Gagárin diria: 'A Terra é azul, mas o Brasil é Tricolor!'. Sim, o Brasil, esse país tropical de matas verdes, dourado das minas, céu azul e branco da paz, foi conquistado pela time da torcida mais bonita, do pavilhão das 3 cores que traduzem tradição! O verde da esperança, aquela mesma que não morreu por último em 2009, junto com o grená, o encarnado da dedicação do Time de Guerreiros, entremeados pelo branco da fidalguia que é a marca do time tantas vezes campeão!
Depois de 38 rodadas, 23 delas lideradas pelo vencedor, o Brasil se rendeu à força do melhor elenco, orientado pelo melhor treinador. Muricy realiza a façanha de ganhar 4 canecos nacionais nos últimos 5 anos, tornando-se o maior vencedor da era dos pontos corridos. Sério, trabalhador e discípulo de Telê Santana, esse paulista de sotaque carregado tem tudo para ser admirado. Afinal, negar o cargo mais almejado por 11 entre 10 treinadores do mundo 'apenas' para manter a palavra dada, não é para qualquer um.
A trajetória não foi em percalços, como é de se esperar de uma disputa das mais difíceis. Um começo claudicante, com duas derrotas nos três primeiros jogos foi sucedido por uma série de 15 partidas de invencibilidade (9 vitórias e 6 empates). Razões para o sucesso não faltaram, mas o forte investimento no elenco foi decisivo. Quatro deles contribuíram de forma efetiva para o título: o lateral-esquerdo Carlinhos, o meia Deco e os atacantes Emerson e Washington. Além da necessidade de melhorar o elenco, os reforços foram trazidos para suprir a ausência de alguns importantes jogadores contundidos. Fred foi o que mais desfalcou a equipe, com diversas lesões, além de Emerson e Deco. Em um campeonat longo e renhido, o banco tem de ser forte. Por conta dessas perdas, o time oscilou muito no início do segundo turno. Nas primeiras 12 partidas, foram quatro vitórias, quatro empates e quatro derrotas, com apenas 16 pontos conquistados de 36 possíveis. Graças à irregularidade do Corinthians e à distância de pontos para o Cruzeiro, porém, a liderança foi mantida. A 4 rodadas do fim, entretanto, o Fluminense foi ultrapassado. Em uma partida teoricamente tranquila, a equipe ficou apenas no empate com o então quase rebaixado Goiás, por 1 a 1, no Engenhão. Com a vitória do Corinthians sobre o Cruzeiro, o time paulista assumiu a primeira colocação, mas apenas por uma rodada, pois o clube do Parque São Jorge voltou a oscilar, ficando no empate com o Vitória e deixando a liderança na mão do Fluminense. Os cariocas não desperdiçaram a chance, golearam o São Paulo fora de casa e voltaram a ocupar o primeiro lugar, para não mais deixá-lo.
A felicidade da torcida Tricolor no Estádio Olímpico João Havelange, o 'Engenhão', só poderia ser medida em graus da Escala Richter. O apito final decretou não apenas o fim da agonia, mas também o começo de um coro uníssono, que juntou os jogadores dos novatos aos mais experientes, e todos eles aos torcedores, dos mais antigos até aqueles que sequer eram nascidos na última vez que esse grito ecoou.
Desde 1984 os Tricolores esperavam pelos dezesseis minutos do segundo tempo desta partida para poderem então reviver aquele gol de Romerito. Há um ano, o grupo que era assediado pelos demônios dos rebaixamentos do passado conseguiu reverter uma situação que já era dada como perdida. Junto com o milagre veio a consolidação de um time com a aura Tricolor e com fibra de guerreiros, que sentiram o peso da história daquelas cores que vestiam e que foram tocados pela mística daquele escudo centenário.
O retrato desse time de guerreiros estampará os jornais e revistas, mas nenhum deles se proclamará o herói. Em um campeonato no qual muitos tentaram macular a essência da desportividade, eles foram a imagem da fidalguia Tricolor. Esporte é superar limites, e foi exatamente o que os guerreiros fizeram, fosse em jogadas de categoria, fosse naquela dividida crucial ou naquele pique quando o fôlego já tinha se acabado. O mérito está dividido por todos esses lutadores, que fizeram por merecer um lugar na galeria dos times históricos do clube e nos corações da torcida.
A chuva que caiu sobre o Rio de Janeiro na memorável noite de cinco de dezembro de 2010 lavou a alma de cada Tricolor, esteja ele onde estiver nesse planeta, vivo, morto ou ainda por nascer. Ninguém é Tricolor pela quantidade, importância ou repercussão de um título. Somos Tricolores porque é nosso privilégio sabermos como é ser campeão do jeito que só o Fluminense é, por isso valeu a pena esperar vinte e seis anos. Isso faz tudo valer a pena.
Confira, ainda:
- A campanha Tricolor
- A saga da conquista
- Todos os jogadores do elenco campeão
Time campeão de 2010

11 julho 2010

O novo sócio

O clube de países ganhadores de Copas do Mundo ganhou um seleto membro, oriundo da península ibérica, que praticou um futebol de primeira grandeza nos últimos anos. Ganhou a Eurocopa de 2008 após 44 anos de jejum, manteve a base e chegou como uma das candidatas ao título, com uma campanha irretocável nas Eliminatórias (10 vitórias em 10 jogos). A derrota na Copa das Confederações não suscitou protestos nem demissões. Confirmou o favoritismo crescendo durante a competição, após um tropeço contra a fraca Suíça. Apesar do destaque de David Villa, artilheiro da equipe, a Espanha não era time de um cara só. O Uruguai, por exemplo, tinha no versátil Forlán, eleito o craque da Copa com justiça, a esperança de que o jogo se resolvesse. A Espanha, assim como a Holanda e a Alemanha, tinha mais astros. Iniesta e Xavi despontaram com categoria na meiúca espanhola. Além disso, tinha em Casillas um arqueiro seguro e confiável, que joga na Furia desde os 18 anos. Tinha Puyol que, se nunca foi um jogador técnico, não é de relaxar e dificilmente deixa a peteca cair. Forma, com Piqué, a zaga do Barça. Também tinha Vicente del Bosque, que andava esquecido no Besiktas após a passagem vitoriosa pelo Real Madrid. Em 30 jogos sob seu comando, a Furia venceu nada menos que 30 deles, trazendo à baila os promissores Navas e Pedro.
Fez a final contra a 'pragmática' Holanda, que é um eufemismo para dizer 'uma Holanda não tão boa quanto antes', mas que obtinha resultados importantes. Longe de praticar um futebol feio, a Laranja chegou à final com uma campanha irretocável: 6 vitórias em 6 jogos, despachando o sempre favorito Brasil nas quartas de final. Isso para não falar das Eliminatórias da Europa, onde foi o primeiro time a se credenciar à Copa. Os destacados Robben e Sneijeder comandam as jogadas ofensivas do time, enquanto a meiúca se dedica a marcar e conter o adversário. Por vezes, com exagerado vigor, tema no qual Van Bommel se projeta como peça-chave nas botinadas. A última derrota da Holanda havia sido em set/09, contra a Austrália, ou seja, há quase dois anos, o que demonstra a longevidade do futebol laranja.
Com dois times tão qualificados, esperava-se um jogo aberto, ofensivo, mas não foi bem isso que se viu. Embora tenha sido um bom jogo, viu-se uma Holanda um tanto violenta, jogando na porrada e na bola. O árbitro começou bem, distribuindo amarelos, mas amarelou na hora de avermelhar e o jogo descambou um pouco. Saldo final de 12 amarelos e um vermelho dão o tom da final mais violenta da história das Copas.
Ainda assim, cada equipe criou pelo menos duas excelentes oportunidades de marcar. Aliás, não foram só oportunidades, foram gols que simplesmente não balançaram as redes, tal a facilidade com que o tento se apresentou a um lado e outro - Robben, Fábregas, Xavi, Capdevilla e Ramos poderiam ter balançado o barbante. Robben, aliás, vai lamentar muito não ter chutado melhor contra Casillas. Talvez tenha faltado é um centroavante melhor para a Holanda, que se ressentiu do omisso Van Persie.
A Espanha jogou melhor, com mais ímpeto ao gol, com melhor futebol, com mais toque de bola. Comandou a partida e fez jus ao caneco. E agora tem 4 anos de regozijo pela frente, coroando um país que tem revelado talentos desportivos em diversos campos, tais como o automobilismo e o tênis.
Parabéns à Espanha e bem-vinda ao clube. Só não vá querendo lugar na janela...