Mostrando postagens com marcador santos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador santos. Mostrar todas as postagens

17 novembro 2012

Vale a pena ter Neymar?

A pergunta acima pode parecer uma bobagem. Afinal, que time não quereria ter um Neymar? Um craque de primeira grandeza, um moleque travesso com a bola nos pés, um artista indomável que cria infindáveis obras de arte em campo. Bem, não se findam os elogios para caracterizar quão bom o magrelo de cabelo espevitado é bom de bola. Mas, como nada é de graça, qual é o preço de ter um jogador como Neymar?
Vejamos...
Primeiramente, claro, tem o salário do cara. Não pode ser baixo, senão alguém vem, paga mais e leva. E como faz para pagar um salário suficientemente alto? A artimanha utilizada pelos clubes é dividir o "salário" do chamado "direito de imagem", que é um eufemismo para salário, tentando escapar da legislação. Aparentemente, não tem dado muito certo, pois na hora de reclamar os atrasos, essa parte tem sido considerada como integrante do salário e os clubes acabam se dando mal do mesmo jeito. O dinheiro vem do clube mesmo ou de uma empresa parceira que o banque - ou seja, de todo jeito, vem do clube, certo? E se o clube gasta muito com um dos atletas, como faz para pagar os demais? Ou seja, no caso concreto, paga uma grana federal para o astro e os demais ganham menos. Há uma justiça, já que o craque joga mais, chama público e angaria torcedores, mas há que se considerar a tal da inveja, que por vezes assombra os vestiários. Vide o caso de Ganso no Peixe.
Enfim, o clube gasta uma soma considerável para manter o astro no elenco. E é um esforço monumental, convenhamos. Uma despesa que poderia contratar, quem sabe, uns três jogadores bons, não craques, mas bons. Por exemplo, com a grana que se paga o Neymar, o Peixe poderia contratar, digamos, um bom lateral, como o Wallace, do Flu, um bom meiúca, como o Paulinho do Curínthia, e um bom armador, como o Jean, do Flu. Certo que nenhum destes faz chover, como Neymar, mas não dariam um melhor equilíbrio ao time?
Há uma outra questão que também deve ser posta na balança: Seleção Brasileira. É certo que Neymar vestirá a amarelinha com frequência, ou seja, desfalcará o time de branco. Portanto, mesmo tendo o craque no elenco, o time não poderá contar com ele em certos momentos, o que, de fato, ocorreu neste ano e ocorrerá por muitos outros.
Ou seja, também sai caro manter um astro da magnitude de Neymar no elenco. E não só financeiro. Exige um baita planejamento para lidar com essa situação, o que não é exatamente uma tradição nos clubes brasileiros. Demanda um brutal esforço de marketing, de convencimento de investidores, de vender o clube a quem possa e queira comprar, por exemplo, espaço em camiseta.
Tenho cá prá mim que o Peixe, até agora, lidou bem com o caso Neymar. Manteve o guri, valorizando seu passe e utilizando sua imagem para angariar torcedores e investidores. Mas, chega um momento em que o esforço já não compensa e é hora de usar outra estratégia. O Santos não resiste muito mais tempo ao assédio europeu. É questão de tempo para Neymar bater asas. O que será salutar para ele, por ganhar cancha entre os melhores, e para o clube, que faz um caixa considerável para investir em outras joias. Se é que tem planos para isso...
Neymar vale a pena?

23 junho 2012

Fuerza, Boca!

O Peixe não jogou nada e facilitou a tarefa corintiana de chegar, pela primeira vez em sua história, a uma final de Libertadores. Neymar e cia. não ofereceram a devida resistência e não ameaçaram o chato time do Parque São Jorge, que conta com a boa fase para tentar ganhar o caneco continental. A imprensa agora deu de louvar o Tite, como se ele fosse o grande maestro de um time aguerrido, limitado, mas competente. Mais ou menos, né? Temos de ver que tudo dá certo para o Corínthians, que acha os gols nas horas certas e não leva. Verdade que a meiúca gambá tem funcionado, com Ralf e Paulinho dando um duro danado. De resto, é um time sem estrelas, sem grande ofensividade. Ainda não vimos o Timão precisando reagir. Penso que, quando precisar, será um perereco! E o Peixe, bem, esse terá que juntar os cacos e partir pro Brasileirão. Ainda dá tempo. O que talvez não tenha o Curíntia, se continuar marcando passo.
Quanto à final da Libertadores, lembro o bom e velho Dimitry, mais velho do que bom: "Agora, o Boca é o Brasil na Libertadores"! Porque aguentar corintiano, ninguém merece!
Na Copa do Brasil, o Coxa se superou e passou pelos Bambis, que também ficaram devendo futebol. O time do Alto da Glória está dando alegrias à torcida, pois mandou bem nos dois jogos contra o São Paulo e vai com a estima em alta para a final contra o Palmeiras. Em tempos de Rio +20, teremos uma "final verde" na competição. E acho que o Coxa tem tudo para finalmente se sagrar campeão. Afinal, tá embalado e o Parmêra é bem limitado.
 Foto: AFP
Fuerza, Boca!!

16 junho 2012

Peixe à luz de velas

Na Libertadores, o Peixe ficou devendo no primeiro jogo contra os Gambás. Deveu até na iluminação. A equipe da capital foi feliz em seu jogo de retranca, suportando a pressão santista mesmo com um jogador a menos. Emerson, como sempre, fez um golaço e arranjou confusão, desfalcando o time. Uma vez maloqueiro, sempre maloqueiro! O Santos jogou esfrangalhado, sem sua espinha dorsal na melhor forma. Ganso voltando de cirurgia, Arouca voltando de contusão e Neymar voltando da Seleção. Além da atuação apagadíssima de Elano. O Corínthians soube se portar e, contando com alguma dose de sorte, vai para o segundo jogo com todas as condições de chegar, pela primeira vez em sua história, a uma final do torneio continental. Para desilusão das pessoas de bem. Há quem afirme que Sanches maquinou para que Mano não chamasse nenhum jogador do Parque São Jorge - o que não é de se duvidar, já que o Timão tem sido beneficiado recorrentemente pelos bastidores. Coincidentemente, essa característica se reforça no período da ascensão de Lula, o torcedor-mor do Curíntia e esculhambador-maior das instituições nacionais.
Na Eurocopa, a Alemanha vem mostrando o melhor futebol. Enquadrada no "grupo da morte", bateu Portugal e Holanda e praticamente assegurou sua vaga na fase seguinte. Portugal vem decepcionando sua torcida, com fraquíssimo rendimento da estrela metrossexual Cristiano Ronaldo, que conseguiu perder pelo menos dois gols feitos. Para quem se julga melhor que Messi, ficou feio na foto. Outra equipe que decepcionou sua torcida foi a Azzurra, que empatou duas e vai para a última rodada dependendo de resultados alheios. A Suécia, embora tenha perdido as duas e já esteja fora da próxima etapa da competição, protagonizou dois belos jogos, com viradas e muito empenho - dela e de seus adversários. No jogo de estreia, ressuscitou Schevchenko. Contra a Inglaterra, virou e levou a virada, em embate com 5 gols. Nada mal para quem quer ver emoção. É bem provável que vejamos os anfitriões descartados e a passagem das equipes mais cotadas, à exceção da Grécia, que superou a Rússia no grupo em jogo que achou um golzinho e contou com a inépcia russa para garantir o segundo lugar da chave. O destaque negativo é, de novo, para os hooligans, que insistem em badernar esses eventos. Desta feita, russos e poloneses promoveram uma briga gigante, que demandou um baita esforço policial para contê-los. Que vexame.
   Foto: Getty Images
Alemanha batendo um bolão na Eurocopa.
  1. Foto: Getty Images

12 maio 2012

Confrontos das quartas

A Libertadores chega às quartas de final, não necessariamente os 8 melhores, já que os encadeamentos se encarregaram de eliminar times mais qualificados, como o Inter. Os favoritos são Fluminense e Santos, pelo conjunto e pelo elenco. O Peixe, claro, tem a vantagem de contar com o fora-de-série Neymar, além de Ganso. Caíram os times que se seguravam em artifícios nada esportivos, ou seja, jogar nas alturas para debilitar o adversário. Assim, constituem-se os seguintes confrontos:
Fluminense x Boca Juniors - após o confronto na fase de classificação, onde cada um ganhou na casa do adversário, voltam a se encontrar na quartas-de-final, enfatizando a rivalidade entre duas equipes tradicionais. O Flu leva vantagem, já que o Boca teve dias melhores e, hoje, carece de talentos. Após o épico combate contra o Colorado, o Tricolor chega com a moral elevada - embora isso não decida nada. Nota-se que o jogo Tricolor decai no segundo tempo, quando o Deco cansa. Mas, deve dar Flu, que só perdeu o jogo no Rio por não precisar de nada na partida.
Universidad de Chile x Libertad - La U reverteu o placar contra o Deportivo Quito, que fez o resultado nas alturas equatorianas, e pega o time paraguaio com o favoritismo a seu lado. Mas não se constitui em muita ameaça para os demais adversários. Aliás, o Chile não tem lá muita tradição na competição, tendo ganho apenas uma vez, em 91, com o Colo-Colo.
Santos x Vélez Sarsfield - também embalado pela apresentação contra o Bolívar, na qual encantou a torcida, o Peixe encara o chatinho Vélez, talvez o melhor time argentino do certame. A ótima fase de Neymar e Ganso deve decidir o pêndulo para o lado do time de branco - que agora resolveu jogar de azul.
Corinthians x Vasco - a grande peleia dessa fase envolve dois times brasileiros. O Corinthians é mais organizado e funciona melhor. O Vasco vem de eliminação no campeonato estadual e a volta de Carlos Alberto ao elenco não ajuda muito. Aliás, só atrapalha. O Timão deve passar dessa.
Se tudo correr dentro do previsto, deveremos ter uma final Flu x Santos. Digna de ser presenciada ao vivo e em cores. Em 3 cores!
De forma dramática, Fluminense venceu o Internacional por 2 a 1 nas oitavas de final da Copa Libertadores e garantiu presença nas quartas; agora, reencontra o Boca Juniors, rival de grupo na primeira fase  Foto: AFP O Santos terminou o primeiro tempo vencendo por 5 a 0, em uma grande atuação na Baixada Santista  Foto: Ricardo Saibun/Gazeta Press

08 março 2012

O bate-Boca

Na Libertadores, jogos com resultados esperados, como o Curíntia sovando o Nacional-PAR, o Vaishco ganhando, ainda que sofrido, do Alianza-PER, e o Framengo batendo, tropegamente, o Emelec-EQU. Esperados devido à superioridade dos times brazucas, que jogavam em casa, com o apoio da torcida e tals.
No jogo caseiro, o Peixe atropelou o Inter na Vila, enfiando 3x1 na representação colorada, com gols de Neymar, que infernizou a defesa gaúcha com disparadas irresistíveis. Só com revólver para parar o neguinho.
E, no jogo da noite, o embate entre o respeitado Boca Juniors, da Argentina, em sua temida "Bombonera", alçapão que costuma sufocar os adversários com o alarido da torcida fungando no cangote de todo mundo. Só que do outro lado estava o estrelado Tricolor das Laranjeiras, o time da camisa mais bonita do Brasil, quiçá do mundo, decidido a fazer valer seu jogo, com o maestro Deco ditando o ritmo da partida, Fred deixando sua marca e o garoto Wellington Nem arrombando o lado destro da defesa xeneize. Não deu outra: Flu 2x1, jogando melhor, marcando bem e dando exemplo a certos times que pipocam quando têm de enfrentar equipes consideradas fortes. Sem medo, o Flu encarou o Boca e fez um bom jogo, tocando o melão sem se intimidar com a tradicional catimba argentina. Temos de convir, também, que o Boca já teve dias melhores. Hoje, vive de lampejos do Riquelem, que joga 15min de cada tempo. De resto, um time até aguerrido, mas sem o mesmo toque de bola de outrora. Assim, com personalidade, o Flu encaçapou o Boca e já tem o time argentino como freguês em Libertadores. Já se referem ao Tricolor como o "bate-Boca", mas isso nem nos sobe à cabeça.
Com os resultados, vemos, de novo, que os time tupiniquins têm a preferência de classificação nas respectivas chaves, exceção feita ao Internacional de Porto Alegre, que vai ter de suar para recuperar o atraso. Para alegria dos gremistas...
Fluminense se isolou na liderança do seu grupo na Copa Libertadores. Foto: Ricardo Ayres/ Photocamera/Divulgação
Alegria Tricolor nos pampas

16 dezembro 2011

As lições do Barcelona

Peixe e Barça fizeram, no domingo, a final do Mundial de Clubes, sob chancela da FIFA, que reuniu os dois melhores times do ano e reverenciados como os melhores já surgidos na Europa e nas Américas no Século XXI, um de cada lado, obviamente. Uma final com ares de "jogo do século".
Do lado de lá, não houve um time como o Barcelona neste século. Nenhum outro time conseguiu reunir tantas habilidades como o clube espanhol. Só houve uma outra equipe com tantos jogadores excepcionais comandados por uma estrela como Messi: o próprio Barça, dos tempos de Ronaldinho Gaúcho. Mas o de hoje brilha mais, inspira mais. Com Xavi e Iniesta na meiúca, em plena forma, o Barcelona atual tem mais categoria. O time troca passes rapidamente, de primeira, com muita precisão. Costuma envolver o adversário e encanta ao sair de encurraladas tocando a pelota. Como se não bastasse, o time consegue mudar a disposição em campo com muita naturalidade. A zaga se altera de dois para três, os jogadores do meio trocam de posição, o time se modifica e confunde o adversário. Além disso, há Messi, o melhor jogador do planeta. Messi que já é o maior artilheiro do time em uma temporada e se encaminha para ser eleito pela terceira vez o melhor do ano no mundo.
Do lado de cá, Neymar e Ganso. E muita esperança. Só. O resto do time é meia-sola, com uma zaga lenta e propensa a fazer uma entrega. Para piorar, Arouca não apareceu para o jogo.
O que se viu foi um passeio do Barça sobre o Santos. Em 90min de futebol, mas de 70% de posse de bola e 4 gols para o time catalão. Uma aula de futebol, nas palavras do ídolo Neymar. Era de se esperar a superioridade espanhola, mas não a humilhação santista. Imaginava-se que o time de branco iria "se divertir" em campo, jogar solto, desanuviado. Mas foi apenas um aluno atento, parvo com os ensinamentos dos professores.
Com o título, o Barça se consagra como o melhor time do planeta, de direito e de fato. Consegue, assim, realizar o sonho de todo purista do futebol, que é ver a disciplina, o rigor técnico e o bom futebol vencedores. Como em 82, quando a Itália despachou o Brasil para casa e desencadeou a Era das Trevas no futebol mundial, quando passou-se a valorizar a defesa, o resultado, em detrimento da arte, espera-se que o destaque do time espanhol ocasione algo parecido, só que em sentido inverso. Quiçá os times, mundo afora, resolvam buscar o toque de bola, o futebol bem jogado, e abandonem os cabeças-de-bagre para utilizar os virtuosos. Quem sabe abandonem os esquemas retranqueiros e ousem, buscando o gol. Oxalá não se pense apenas no resultado imediato, mas no longo prazo, na construção de um time. Tomara que resgatemos a nossa arte perdida...
Mundial de Clubes - Final - Santos x Barcelona
Não deu, Neymar...

23 junho 2011

A América em branco e preto

O Santos Futebol Clube levou o terceiro título da Libertadores ao vencer o Club Atlético Peñarol e a geração Ganso/Neymar supera a de Diego/Robinho na história do clube, consagrando-se definitivamente e entrando para o cenário mundial. Afinal, a partida mais esperada do ano passa a ser a possível disputa pelo título do mundial entre os dois clubes mais badalados do momento: o Barça, reverenciado pelo mundo todo, e o Peixe, badalado na terra do principal expoente do ludopédio planetário. Dificilmente haverá um Mazembe no caminho do time brasileiro, já que a lição foi dada e espera-se que tenham aprendido. Porém, a questão é se o time se mantém até lá, pois o assédio sobre os craques aumentará e Ganso até já avisou que pretende sair. Neymar pai disse que o filho fica, mas veremos se repete isso diante de uma bolada de verdinhas na fuça.
Santos e Barça representam hoje, guardadas as proporções, o futebol mais artístico, mais lúdico, onde há espaço para o chamado "bom futebol", não tão pragmático, mas sem perder a objetividade. Bom para o futebol, que passa a ter bons modelos a seguir, pois são times vencedores além de virtuosos. Será a final da América em branco-e-preto contra a Europa em grená-e-azul.
O Santos fez uma boa campanha, facilitada pelos adversários não tão fortes, sobretudo na final, quando o ardido Vélez sucumbiu ao aguerrido (e pouco ofensivo) Peñarol. Deportivo Táchira, Cerro Porteño e Colo-Colo foram os adversários no Grupo 5, América do México o adversário das oitavas e o Once Caldas o das quartas de final. Voltou a enfrentar o Cerrro nas semi e chegou à final contra o Peñarol. Após um primeiro jogo fraco, de placar inalterado, o segundo, em casa, foi melhor. Pudemos ver a ampla superioridade do time brasileiro frente à limitação da equipe uruguaia, que se restringiu a explorar as bobeadas do time brazuca. Quando este se encontrava, virava jogo de ataque contra defesa. E o destaque santista foi o trio Ganso-Neymar-Arouca. Ganso é o coordenador da equipe, o cara que levanta a cabeça e põe a bola no lugar certo para que a jogada apareça, o cara que orienta o time e é a referência para os demais. Quando ele joga, o time tem personalidade e arte. Neymar é o astro, o cara que dribla, aparece, vai prá mídia, marca gols e incomoda mais que sapato apertado. Foi o principal jogador da campanha santista e é o mais visado na marcação. Arouca é o carregador de piano que sabe tocá-lo. Marca, mas sai bem para o jogo. O gol de Neymar na final é o exemplo típico dessa harmonia: Arouca rouba a bola, avança e toca para Ganso, que devolve num toque magistral, criando a jogada para Arouca, que rola a bola para Neymar concluir. Estava aberta a porta para o terceiro título sulamericano do Peixe.
Muricy também sai como vencedor, mais uma vez. Ao ganhar um torneio regional, acaba com o estigma que parcela mais ranheta da mídia e da torcida ainda teimava em manter. Depois de um fracasso com o São Caetano e três com o São Paulo, Muricy leva o caneco e hoje, é, sem dúvida, o treinador mais respeitado no futebol, alcançando o patamar de Luxeba dos tempos de Palmeiras - mas acho que com mais caráter (também, não precisa de muito para isso) e mais estofo que o comedor de manicures.

PS
* alguém me explica como um imbecil desses é eleito vereador?
* texto-verdade de Aírton Cordeiro

16 junho 2011

A primeira partida

Foi fraca. Os times não jogaram bem, mesmo dando o desconto de ser uma decisão, nervosismo, catimba etc e tal. Do Peñarol até já se esperava algo assim, já que o time não é lá essas coisas - apesar de estar na final. Marcam forte, têm vontade, mas esbarram no trato com o melão. Ainda assim, criaram umas duas boas chances de gol, aproveitando-se de bobeadas da defensiva brazuca. Por muito pouco que o Peixe não volta com a desvantagem! Porém, o time aurinegro limitou-se a esperar pelo zero-a-zero, tanto que a imprensa uruguaia festejou o resultado enaltecendo os brio sda equipe que conseguiu parar o Santos. Baixas expectativas do lado portenho...
Do lado do time de branco, notou-se a ausência de Elano, que sumiu do jogo! Botou a camisa, calçou meiões e chuteiras, mas não se mostrou para o time. Também Muricy dá a impressão de ter buscado o empate ao preferir um Santos mais preocupado em não tomar gols, com Adriano colado em Martinuccio e mais 3 marcadores na meiúca. E ainda fica reclamando da arbitragem. Vai entender...
A volta de Ganso no jogo do Pacaembu (a briga da CBF com o São Paulo impediu que o jogo fosse no Morumbi) deve dar mais estofo ao time paulista, com mais criatividade e inteligência no setor que pode municiar Neymar e o inoperante Zé Love - este, aliás, já deveria pedir para sair. A volta de Ganso ainda repete o jogo de 62, quando Pelé retorna aos gramados para se consagrar, após perder as duas primeiras partidas por contusão. Naqueles tempos, a disputa pelo troféu continental era decidida em melhor de três jogos, com o terceiro confronto sendo realizado em campo neutro - ou nem tanto... Com a distensão muscular sofrida na Copa do Mundo do Chile, o negão desfalcou o time na fase final da competição e viu o Santos chegar à decisão contra o então temido time uruguaio, bicampeão sul-americano. Em 30 de agosto de 1962, Pelé estava recuperado da lesão e entrou em campo, marcando dois dos três gols santistas na decisão e contribuir para a primeira taça de Libertadores ao clube alvinegro. Veremos se Ganso repete Pelé e bota a mão no caneco.

20 março 2011

Crise?

Os clubes de melhor futebol no Brasil passam por um momento de baixa. Flu e Santos não se acham em campo e padecem tanto na Libertadores quanto nos estaduais. Crise técnica e, no caso do Tricolor, confusão administrativa também.
O Peixe fez campanha igual à do Flu na Libertadores: empatou duas e perdeu uma. Porém, fica melhor na tabela por ter empatado apenas uma em casa e por ter adversários mais frágeis também. E, no Estadual, com uma ampla gama de classificação para a próxima fase, sua situação não é das piores. Mas, o que se viu em campo é que preocupa. Embora Ganso tenha voltado em grande estilo, a zaga tem comprometido, com destaque para Edu Dracena. O cara parece que joga em câmera lenta! Tem se colocado mal, tem se atrapalhado com a bola... Enfim, Dracena, que já não é lá essas coisas, parece que atravessa uma fase bastante ruim, com tudo que faz dando errado. Um "Midas" ao contrário: botou o pé, dá merda! O Peixe ainda pode voltar a contar com Arouca, que manda muito ali na meiúca; ainda conta com nomes como Neymar, Elano e Ganso, que ajeitam a redonda... Mas, falta zaga.
Já o Flu, parece ter saído dos trilhos com a saída de Muricy. Sabem-se lá os verdadeiros motivos da saída do trinador. Acho que ele tem muito crédito, mas é difícil acreditar que "apenas" a falta de estrutura tenha sido a causa da saída. O buraco é, seguramente, mais embaixo - e ainda veremos onde ele fica. Uns falam em Diretoria dando pitaco na escalação, outros comentam que o patrocinador teria botado as asinhas de fora... O fato é que o Flu se bagunçou com a mudança de Direção e esperamos que essa mudança tenha sido para melhor, com seus frutos sendo colhidos mais adiante. Mas, o que se vê no imediato é um sacolejo forte no navio, fazendo algumas vítimas. E perder o timoneiro no meio da Libertadores não é nada bom! Claro que Muricy é um baita treinador - acho que o melhor do Brasil, mas nem por isso deve ser determinante para o sucesso de um time com o elenco do Tricolor. Gente experiente, gente de talento... Qualquer treinador razoável pode fazer sucesso com aqueles caras. Antes que um piadista mencione, Caio Jr., um dos cotados para suceder Muriçoca, não é razoável! Já Abel, o nome do momento nas Laranjeiras, esse, sim, teria estofo para a missão. Pena que só viria em junho! Até lá, ficar com um "interino" é pedir para se afundar no lamaçal que ficou a Libertadores.
Por aqui, o Coxa continua firme no caminho da roça. Não encontra páreo e segue atropelando. Claro que os coxas estão por cima, mas já estão se achando por conta disso. Calma, coxas... Vamos ver quando o time jogar contra um aversário melhorzinho. O Trétis, até agora, só jogou com a camisa e começa a sentir o peso da cobrança da torcida. Eo Paranito se recupera, saindo da ZR e chegando à terceira posição. Quem diria??

22 setembro 2010

O caso Neymar

Afinal, quem ganhou? Neymar, que agora pode jogar? Dorival, que se manteve inflexível em manter sua autoridade? O Santos, que pode colocar sua joia para jogar?
Antero Grecco já dizia que o momento pedia muita sensibilidade e espírito desarmado para que a situação não descambasse para a ruptura. E foi bem o que aconteceu, numa história bastante mal contada.
Dorival disse que tinha o respaldo da Diretoria que, por sua vez, achou que o treinador descumpriu o 'acordo de cúpula', no qual os cartolas atenderiam a exigência do técnico, demonstrando publicamente o respeito à hierarquia e, em contrapartida, o jovem astro estaria no clássico contra o Corinthians. O treinador não seguiu o script e ratificou a punição. Os dirigentes não gostaram e o desfecho foi a demissão. Mas, pergunta-se: se existiu esse acordo, por que Dorival voltou atrás? Se ficou incomodado, por que não discutiu antes de tornar oficial sua decisão? Houve falha de comunicação? Quem se beneficia com a desavença?
Isso para não falar na multa pela rescisão do contrato com Dorival - R$ 2 milhões. Não houve nem a tentativa da moderação ou a ponderação pela extensão da “geladeira” de Neymar.
Dorival se mostrou irredutível e não se incomodou com a queda. Deve ter entendido que sua autoridade ficaria arranhada caso colocasse Neymar num jogo importante para seu time.
O que se percebe é que os tempos alegres de Dorival e equipe já vão longe. O que fazia o Peixe um time 'diferenciado' virou sisudez, clima pesado e sucessão de manchetes em jornais devido ao mau comportamento dos atletas.
O que se espera, depois dessa seqüência confusa, é que o Santos aprenda a lidar com Neymar, um jogador fenomenal, uma grande aposta, mas que precisa botar a cabeça no lugar. Se ele ficar com a impressão de que é mais poderoso do que o treinador e que isso lhe dá carta branca para fazer o que bem entender, terão mesmo criado um monstro. Difícil de controlar e cujo retorno será altamente duvidoso.
Já Dorival Júnior não ficará muito tempo desempregado, como ocorreu ao sair do Vasco, logo após reconduzir o time para a Série A. Dizem as más línguas que seu endereço seria o Morumbi.
Veremos...

20 agosto 2010

Sem deixar por menos

A rivalidade no futebol é um dos temperos essenciais para o sabor da diversão. E nenhuma é tão acirrada quanto à da dupla GreNal. Para ilustrar, a Coca-Cola teve de mudar a cor do símbolo, no patrocínio dos anos 80, para não macular a camisa do Grêmio. 'Vermelho, na camisa do Grêmio, só se for o sangue do jogador', teria dito um Diretor do clube, à época. Obviamente, há limites entre a picardia que anima o cenário e as barbáries degradantes que vemos de vez em quando... Pois o Grêmio não deixou por menos e já espicaçou a conquista colorada, estampando a manchete abaixo nas páginas de um jornal de Porto Alegre, 'parabenizando' o Inter pelo bi da Libertadores, mas com a ironia bem à mostra.
Inter, aliás, que ganhou com méritos ao virar o placar contra o Chivas, no Beira-Rio. Começou nervoso, errando, mas conseguiu se encontrar em campo e impor seu melhor futebol. Nada inesperado na conquista, já que o resultado conquistado lá no México antecipava o endereço final da taça. O feito teve repercussão mundo afora, sobretudo na vizinha argentina, pátria dos hermanos D'Alessandro, Guiñazu e Abbondanzieri.
O dia do fico
Neymar disse 'não' ao Chelsea e ficou na Vila, depois de ouvir conselhos de gente como Pelé, Zagallo e Mano Menezes. Neymar quer 'servir de exemplo' para que outros jogadores permaneçam em seus clubes. O craque teria recusado uma proposta milionária para ganhar pouco mais da metade no Peixe. Independente dos valores, o que Neymar vier a ganhar no Santos já seria, sem dúvida, grana suficiente para deixar o burro dele e da família inteira na sombra. Basta um pouco de cabeça. E é aí que, penso eu, deveria entrar o clube, ajudando na formação do cidadão, não só do atleta. Facilita até no relacionamento entre as partes em situações como essas.
Agora, o Santos volta suas atenções para renovar as bases contratuais de Paulo Henrique Ganso. A multa rescisória do meio-campista é de 50 milhões de euros (R$ 112 milhões), com contrato até 28 de fevereiro de 2015. Deve ser outra novela...

02 maio 2010

Santo Campeão

Como era esperado, o Peixe levou o caneco em um bom jogo de futebol, com o Pacaembu cheio. O Santo André não se mixou e foi para cima do time de branco, abrindo o placar com 30s de bola rolando - o gol mais rápiod da história das decisões do certame paulista. Um susto logo absorvido pelo Peixe, que marcou com Neymar, em bom passe do maloqueiro Robinho. O tal do Branquinho saracoteou muito e incomodou o elenco santista. O segundo gol do time do ABC deu novos rumos ao jogo. O Santos parecia até acuado, dando a impressão que corria o risco de não levar o título para a praia. Mas... Aí veio o toque de gênio. A diferença que separa os maestros dos jogadores comuns. Em um toque soberbo, magistral, ao melhor estilo dos que eu costumo fazer, Paulho Henrique Ganso deixou Neymar na cara do gol para empatar novamente a partida. Naquele momento, tive a impressão de que Ganso consolidava sua genialidade e saída da faixa dos 'bons jogadores brilhantes' para a de 'craque'. Um guri que faz aquilo numa final, com torcida e imprensa no cangote, tem de ser craque. Hoje, se eu tivesse de escolher UM nome do Peixe, esse seria Ganso! Mais que Neymar, que ainda tem muito futuro, mais que Robinho, que tem um baita passado, Ganso é 'o cara'. Jogador que combate na meiúca, organiza o ataque e chega na frente, faz tudo isso com a qualidade de poucos. O terceiro gol do time de azul empatou os resultados, mas, com a vantagem do Peixe, restava ao Sto André ir para cima. Faltava um! E foram mesmo, aproveitando que estavam com um a mais em campo. Aos 5min do segundo tempo, Rodriguinho (tinha de ser esse o nome) perdeu a chance de ser o heroi ao desperdiçar excelente oportunidade. O jogo continuou combativo, disputado, com ambos os times dispostos a mostrar serviço. Porém, sem tantas chances de gol. O carrinho criminoso de Brum, aos 37min, pôs lenha na fogueira! O final do jogo foi em alta velocidade, com o Sto André tentando sufocar o Peixe. Bola na trave aos 45min, correria, banco de reservas em polvorosa... Mas, foi inútil. Valorizou a conquista alvi-negra e deu graça à disputa, pois foi por pouco, bem pouco, que a taça não desce a serra.
Com isso, consagra-se a nova geração de Meninos da Vila. Essa gurizada vai dar o que falar. Taça merecida, o Peixe passa a ser o time de referência do futebol vistoso. Tomara que os outros tentem imitá-lo.
No RS, o Grêmio levou o caneco em cima do Inter, mesmo perdendo em casa. E o Inter confirma que é o time que mais amarela no Brasil.