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28 abril 2014

Ainda o racismo

A 2ª rodada do Campeonato Brasileiro expôs um Framengo frágil diante de um Curíntia mais alinhado, porém, pouco combativo; um Galo frouxo atropelado pelo misto do Grêmio, com pouquíssima participação do outrora aceso Ronaldinho Gaúcho; a meiúca do Flu funcionando contra um Palmeiras atabalhoado, com bom entrosamento de Conca, Sóbis, Fred e Wagner; um jogo fraquíssimo no empate entre Coxa e Peixe, que deixou ambas as torcidas apreensivas; a recuperação do Buátafogo, arrancando um empate sob a batuta do estreante Emerson Sheik, empolgado pelo novo recomeço - e, agora, prometendo que não tem mais selinho; empates amargos para o Cruzeiro, superior ao inofensivo São Paulo do antes badalado Pato, e para o Vitória, que queria se recuperar em cima do Furaquinho, mas não teve forças.
Nem tanto pelos resultados, mas mais pelos desempenhos em campo, vemos que alguns times, como Botafogo e Coxa, têm muitos motivos de preocupação, pois falta time. Outros, como Palmeiras e Galo, devem tomar medidas rápidas para reverter a tendência de baixa.
Assim, o destaque da semana fica por conta da reação de Daniel Alves a (mais) uma manifestação nada louvável de torcedores rivais, que lhe atiraram uma banana. Calmamente, o lateral pegou a fruta, descascou e comeu, seguindo no jogo como se nada tivesse acontecido. A atitude desencadeou reação de apoio, sobretudo pelos brazucas, gerando a campanha #somostodosmacacos. Impressionante como ainda tem gente que vai ao estádio para fazer bobagens desse nível.
Daniel Alves reagiu bem à provocação

14 outubro 2013

As horas

Em um Campeonato Brasileiro equilibrado, onde se destaca a falta de craques que outrora brilhavam por aqui em maior profusão, vemos um Cruzeiro com larga margem à frente, com gordura acumulada após um longo período sem tropeçar. No encalço, o Buátafogo, time empenhado em se recuperar da fase ruim, que pode ter se findado junto com o histórico de 13 anos sem vitórias sobre o Framengo em disputas no nacional. Uma vitória redentora, aliás, pois saiu em desvantagem e foi buscar a virada na marra. Outro que almeja encostar é o Grêmio, em relargada após a demissão de Luxa e a volta de Renato Gaúcho.
Terá chegado a hora da Raposa vacilar? Após assumir a ponta, o Cruzeiro não sabia o que é desapontar a torcida. Mantinha um desempenho invejável, mantendo uma distância bastante segura dos demais. Porém, após os dois últimos jogos, em que perdeu para São Paulo e Galo, as pulgas pularam para detrás das orelhas dos torcedores celestes! Mas, como a má fase não é aproveitada pelos adversários, que só diminuíram em 1 ponto a desvantagem, parece que o Cruzeiro até pode dormir tranquilo em berço esplêndido.
Péssima hora é a do Coxa, que despencou na tabela de forma fragorosa. Da liderança do certame, que justificava a zombaria com os rivais domésticos, à agonia para escapar da degola, o Coxa experimentou uma queda de rendimento inigualável. Muito embora a torcida reclame, peça a cabeça dos técnicos, xingue cartolas e se exaspere com os árbitros, a verdade, nua e crua, é que o Coxa nunca teve time. Só teve uma fase em que tudo dava certo.
Seu antagonista, imbuído do espírito de equipe e cavalgando em cascos rápidos, também passou por uma fase de esplendor, onde chegou a amealhar a vice-liderança da competição. Porém, parece dar sinais de que a boa fase também esmoreceu e briga para permanecer no G4. Veremos se segura a boa vantagem até o fim.
Porém, certo mesmo é que chegou a hora de Rogério Ceni pendurar as luvas e as chuteiras. Grande goleiro, que se notabilizou defendendo a meta sãopaulina e liderando o time, hoje é um arremedo de atleta que arranja mais encrenca do que joga bola. Para piorar, coleciona uma série de fracassos naquilo que era primoroso: a cobrança de bolas paradas. Convenhamos, errar 4 penalidades máximas seguidas não é para qualquer um!
Fogão perto do título...

25 agosto 2013

Substituição paranaense

Após a 16ª rodada do Brasileirão, apenas 16 pontos separa o líder, Cruzeiro, do primeiro time da ZR4, a Ponte Preta. Ou, posto de outro modo, a ZR4 não está assim tão longe do G4, em termos de pontuação adquirida. Desconheço as estatísticas, mas me parece uma proximidade nunca antes vista neste certame... O que seria mais um indicador do atual nivelamento dos clubes. Afinal, não temos nenhum time verdadeiramente bom, que apresente um futebol consistente. O Coxa, que vinha bem, jogando certinho, voltou ao normal e despencou na classificação. O Fogão, hoje, é considerado o time que vem mostrando o melhor conjunto, capitaneado pelo bravo Seedorf, que dá esporro em campo e desarma repórteres. Porém, agora é o Cruzeiro que parece engrenar e deve assumir o favoritismo da imprensa - muito, creio, em função do trabalho do Marcelo Oliveira, outrora treinador do Coxa e escorraçado pela torcida do Alto da Glória. Torcida que deve estar bastante aborrecida pela atual situação do Furacão, que assume o posto de representante paranaense no G4 após vitória sobre o ex-líder Botafogo. Já na rabeira, o destaque fica para o Timbu e para a Lusa, os dois primeiros fortes candidatos ao rebaixamento, com pífia campanha em casa ou fora dela. O São Paulo, que, graças à atitude magnânima do Fluminense, conseguiu vencer uma depois de 12 jogos, permanece na ZR4, mas reúne forças para permanecer na Série A, deixando a briga para times como Criciúma, Ponte Preta e a dupla Fla-Flu.
Neste cenário de certa lassidão técnica, ganham as páginas dos jornais as notícias extra-campo, onde o "selinho" de Émerson foi o perrengue da semana. Em um meio onde o machismo é absolutamente predominante, onde os torcedores são ignorantes e a imprensa é ávida para ver o circo pegar fogo, a imagem do atleta corintiano beijando um "amigo" acabou atiçando a fúria da torcida corintiana, alçada à equivalência com os bambis como alvo das gozações alheias. Vampeta que o diga, pois não pára de receber ligações dos amigos são-paulinos. Se queria chamar a atenção, Sheik foi muito bem sucedido.
Será o Furacão a nova esperança do Paraná?
Foto: Blog do Juca Kfouri

16 junho 2013

Intervalo e vaias

Em recesso forçado, o Campeonato Brasileiro apresenta um cenário ainda longe de qualquer realidade, mas alguns sinais já causam certa preocupação. O Santos, por exemplo, vendeu Neymar, seu principal (e único) jogador, demitiu Muricy Ramalho e não tem time. Deve ser um dos que brigará para não cair se não aparecer ninguém da base. Junto com o Framengo, outro recorrente na lista dos que vão causar calafrios à torcida ao longo da competição há algum tempo. Atlético/PR, Goiás, Náutico e Bahia completam a lista de "salve-se quem puder". Já no lado inverso das perspectivas, temos Galo, que vem jogando o melhor futebol na Libertadores, o Flu, eliminado mais uma vez no certame internacional, e o Curíntia, que continua um time acertadinho. Depois, temos São Paulo, Cruzeiro, Grêmio, Botafogo e Inter, correndo por fora, naquela intermediária que disputa G4, Sulamericana... E isso ainda dependendo do eventual desmanche ou saída de alguns jogadores, como Luís Fabiano do São Paulo. Esse é o cenário de hoje. Veremos se isso se comprova em campo.
Ah, sim, o Coxa é o líder, mas, convenhamos, nem mesmo o Caveira acredita que isso se sustenta.
A Copa das Confederações começou já em grande estilo. Logo na cerimônia de abertura, a presidente Dilma é sonoramente vaiada por grande parte dos presentes, suscitando reclamações de Blatter e levando-a a abandonar o discurso que havia preparado e optar pelo breve "declaro aberta" para se mandar rapidinho. Em campo, o Brasil mostrou  que pode ter time contra um Japão que, embora frágil, é um bom teste de início de copa para dar confiança e acertar o time. Oscar vai bem na meiúca, Hulk se mostra útil ao voltar para marcar, Marcelo tem feito boas partidas e a defesa é segura. Ainda falta Neymar se consagrar. Itália e México fizeram um jogo meio xoxo, onde os descuidos proporcionavam as oportunidades ao adversário. E foi assim que Balotelli ganhou o jogo, em falha de marcação da defensiva cucaracha. No outro grupo, a Espanha simplesmente humilhou o Uruguai ao impor seu estilo de marcação à frente, roubadas de bola e muitos passes para manter o controle do jogo. Favoritíssima ao caneco.
Foto: Felipe Gabriel / Agência Lance

12 outubro 2012

Julgamentos

A 10 rodadas do final, o Campeonato Brasileiro aponta um líder com uma baita vantagem sobre os demais, suscitando o questionamento sobre a decisão antecipada do torneio. Afinal, o Fluminense não está somente com a larga folga de 9 pontos em relação ao Grêmio, segundo colocado, mas também está numa fase em que tudo dá certo. Ganha quando joga bem, ganha quando joga mal, mantém a distância mesmo quando perde... Quando é assim, não adianta praguejar, rezar contra, jogar mau-olhado. Claro, que a fase passa, mas, convenhamos, perder 9 pontos nas 10 rodadas finais vai ser um milagre. Talvez tão grande quanto o realizado em 2009. E, claro, o Flu conta com um bom elenco. Hoje, o melhor do país, no papel. Com uma espinha dorsal montada a partir de um grande arqueiro, Cavalieri, que vive uma grande fase. Pega tudo! Hoje, é o melhor goleiro do Brasil. Passa por Deco, que, embora não seja uma figura sempre presente em campo, desperta os instintos mais primitivos nas defesas adversárias, já que pode colocar bolas precisas. Ainda tem Thiago Neves, um bom jogador, exímio em bolas paradas. E culmina em Fred, o artilheiro que tem feito a diferença desde 2009.
A diferença chegou a essa grandeza após a derrota do então segundo colocado, o Galo, para o Internacional, lá no RS, em um cenário que despertou diversos questionamentos bastante razoáveis. Tudo por conta da suspensão de Ronaldinho Gaúcho pelo STJD, com o parecer de um tal de Jonas Lopes Neto, auditor do STJD e flamenguista de carteirinha - o mesmo que condenou Loco Abreu por beijar o escudo botafoguense na frente da torcida rubro-negra. Para quem não se lembra do episódio (ou não sabe mesmo, no caso das meninas), Ronaldo deu uma entrada descabida em Kléber no jogo Galo x Grêmio pela 26ª rodada. Na ocasião, nem falta foi anotada pelo árbitro Héber Roberto Lopes, também julgado pelo STJD e absolvido. O bafafá todo gira em torno da decisão tomada pelo STJD, de punir o jogador apesar de o árbitro nada ter apontado. Isso pode, Arnaldo?
No meu entender, pode. E deve. Digo, deve haver uma instância fora do jogo que analise e monitore desempenho de árbitros e interfira em questões disciplinares e regulamentares, a fim de evitar distorções. Assim, se um jogador comete um delito, ainda que não visto ou apontado pelo árbitro, o STJD poderia, com base em imagens de TV e depoimento de atletas ou arbitragem, decidir pela punição dos faltosos - além daqueles já admoestados pela arbitragens, claro. Assim, acho legítimo o STJD julgar o Ronaldo pela entrada (desleal, aliás) sobre seu companheiro de profissão. O que não pode, obviamente, é ter a distorção onde se julga! Não pode o STJD demorar 3 semanas para agir sobre o caso. Não pode o STJD punir o atleta pela falta em questão e inocentar o árbitro que não puniu o atleta no ato - fica incoerente, certo? Claro que não há como evitar torcida, afinal, os componentes do STJD também têm direito a torcer por um time, mesmo que seja o Framengo. Paulo Vinícius Coelho já aponta isso aqui.
Claro que isso não é lá muito fácil de evidenciar. Afinal, temos um Toffoli, evidentemente vendido para o PT, julgando o men$alão no STF. Isso pode, Arnaldo?
Você sabia?
O primeiro jogo de futebol com transmissão colorida no Brasil foi um 0 X 0 de um amistoso entre uma seleção de Caxias do Sul e o Grêmio. Disputado no dia 19 de fevereiro de 1972, era parte da programação da Festa da Uva da cidade. Essa experiência da TV Difusora de Porto Alegre foi retransmitida pelas TVs Rio, do Rio de Janeiro e de Brasília, e pela TV Record, de São Paulo.

Site do TRE/RJ
Jonas Lopes, o auditor-torcedor.

28 setembro 2012

Efeitos deletérios

Finalmente regularizado após a realização do jogo atrasado ainda do primeiro turno, o Campeonato Brasileiro entra em sua 27ª rodada com uma certa distribuição uniforme entre os 4 primeiros colocados. O líder mantém uma relativa folga em relação ao segundo colocado, que mantém certa margem em relação ao terceiro que, por sua vez, mantém distância ao quarto posto.
O embate entre Framengo e Galo, adiado da 14ª rodada devido ao mau estado do gramado do Engenhão, teve previsão de realização em locais alternativos até ser oficialmente marcado para... o Engenhão! Sim! Deram-se voltas, oscilações para, enfim, voltar-se ao ponto de partida. Há consenso que o gramado estava mesmo ruim, como atestavam as várias e recorrentes reclamações do todos que lá jogavam à época. Porém, adiar o jogo para outro momento acarreta nesta distorção, em que um time é beneficiado por evitar um confronto em uma fase desfavorável. Foi o que aconteceu com  o Framengo, que, à época do adiamento, fazia uma campanha sofrível, enquanto o Galo vinha embalado, atropelando todo mundo. Adiar o jogo foi a decisão mais impactante que se poderia tomar, uma vez que a partida poderia muito bem ter sido marcada para Volta Redonda, por exemplo, onde se costuma receber alguns jogos de times cariocas. Mas, quis a CBF, com toda sua verve pró-Framengo, que fosse marcado em outra época, justamente quando o time mineiro experimentava um decaimento severo de seu rendimento. Embora todo mundo (menos o Vinícius) soubesse que o alvi-negro de BH não fosse mesmo manter o ritmo, não é razoável que o time seja prejudicado desta forma. Essa decisão interfere sobremaneira no andamento natural do certame, onde as oscilações de desempenho dos times geram, justamente, as alterações de colocação na tabela.
À parte esse aspecto duvidoso, vimos que o Galo arrefeceu. Do galope inicial, passou a um trotar suave no segundo turno, com ímpetos mais contidos e sem tanta felicidade nas jogadas. Enfim, desceu do patamar de favorito nos jogos para o de "um dos fortes". Já o Framengo, vive, enfim, lua-de-mel com a torcida, que parece acreditar no time - significando que tem boas chances de se livrar do rebaixamento e, quem sabe, por uma maré muito favorável ou mais algumas ajudinhas, chegue a uma vaga na Libertadores.
Enquanto isso, o Flu agradece e sobra na liderança, agora com 4 pontos de vantagem para o vice, enquanto o Grêmio busca encostar no combalido Galo para, quem sabe, brigar pelo título. Entrando no terço final do campeonato podemos ter uma noção melhor de quem embala para abraçar a taça.
Você sabia?
A maior média de gols em uma Copa foi a de 1954 (Suíça). Foram marcados, em média, 5,4 gols por partida. Já a menor média de gols em uma Copa foi a de 1990, na Itália, quando foram marcados, em média, 2,21 gols por partida - menos da metade daquela!
Ronaldinho retornou ao Engenhão e reencontrou o Flamengo na noite da última quarta-feira. Diante da hostilidade da torcida agora rival, o craque do Atlético-MG brigou, disputou, reclamou e tentou comandar o time mineiro, mas deixou o Rio de Janeiro derrotado por 2 a 1. Veja em detalhes o clima tenso que envolveu o jogo na capital fluminense  Foto: Daniel Ramalho/Terra
Ronaldinho Gaúcho foi bastante hostilizado pela urubuzada. Com razão!
Foto: Daniel Ramalho/Terra

17 setembro 2012

Sem aproveitar

A rodada deste final de semana do Campeonato Brasileiro deu margem a várias alterações que não se concretizaram. Começou com o Fluminense, então líder do certame, apanhando em casa do então lanterna na tabela, dando espaço para o brioso Galo retomar a dianteira. O Flu se desencontrou em campo e a sorte que o acompanhava nas últimas rodadas parece ter se ausentado nesta partida. O time não jogou bem e, claro, as ausências de Fred e de Deco se fizeram sentir.
Mas, para sorte Tricolor, o intrépido Galo também claudicou e perdeu sua terceira partida na competição. Contra o Náutico, o time da capital mineira também não foi bem. Teve mais posse de bola, mas não transformou isso em tal superioridade que pudesse sugerir um amplo domínio da partida. Faltou pontaria, finalização, calma na hora de decidir. E o Náutico, convenhamos, é horrível. Nos contragolpes ficou evidente a falta de destreza do elenco timbucano.
Quem vinha bem na foto era o Grêmio, que poderia se aproveitar do vacilo dos concorrentes para encostar de vez na briga pelo topo. E parecia que seria assim quando saiu o primeiro gol (aliás, um golaço) de Marcelo Moreno, em excelente passe de Elano, revigorado no esquema de Luxa. Mas o Grêmio se acomodou e o Framengo dominou o segundo tempo, empatando em bela cobrança de falta da jovem promessa Adryan. Não fosse Marcelo Grohe no arco gremista e o time gaúcho sairia sem um ponto sequer do Engenhão!
O paraíso gremista parecia ainda maior com a derrota parcial do rival local. O Colorado perdia por 2x0 para o Sport (pronuncia-se "Ishpórtti") e fazia a festa tricolor nos pampas. Mas o time de vermelho reagiu e empatou, livrando a torcida do vexame. Porém, não impediu Fernandão de reclamar da equipe - com certa razão, diga-se. Veremos como o elenco reage às críticas em público, já que jogador de futebol é temperamental, sensível e não é de hoje que derrubam técnicos - ainda mais um novato no cargo.
Com essa seqüência de tropeços, quem lucrou foram os Bambis, que bateram a combalida Lusa e chegaram à 5ª posição, superando o Buá-tafogo, que não passou do 0x0 com a Ponte Preta.
No Couto, vimos Neymar derrubar o favoritismo dos anfitriões. Dois gols do craque santista decretaram a derrota coxa-branca em casa, fato não tão raro no certame. O Coxa se aproxima perigosamente do Framengo (ou seja, da ZR) e precisa se recuperar para não fazer o AtleTiba na Segundona. Bem, pelo menos o resultado serviu para garantir a costela às custas do Dimitry e do Maurício...
Quente mesmo, além do verão curitibano, foi o clássico paulista, entre Corínthians e Palmeiras. O time do Parque Antarctica entrou em campo pressionado pelos péssimos resultados e pela recente saída de Felipão do comando técnico da equipe. Do outro lado, um Timão doido para poder esquecer o Brasileirão e se dedicar à disputa pelo Mundial de Clubes da FIFA. Rapidamente pôde-se ver o nervosismo palmeirense, estampado em Luan, que perdeu a cabeça por um motivo banal e bagunçou o coreto do time. Com um a menos, o Palmeiras até que tentou, mas não foi páreo para o Curíntia. E o vexame se espalhou para a torcida, que depredou o estádio, pichou loja do clube e promoveu quebra-quebra em estabelecimento comercial de um dirigente. Do jeito que vai, o Palmeiras mostra que não aprendeu da primeira vez e voltará à Segundona para mais uma tentativa de aprendizado.
Você sabia?
O recorde de expulsões em uma partida ocorreu no embate entre Portuguesa de Desportos e Botafogo-RJ que jogavam pelo Torneio Rio-São Paulo de 1954, no Pacaembu. A partida acabou aos 31 minutos do segundo tempo, quando estava 3 x 1 para a Lusa. Tudo porque os 32 jogadores acabaram expulsos de campo. A confusão começou com o zagueiro Tomé, do Botafogo, que tentava cobrar um tiro de meta enquanto o atacante Ortega, da Lusa, catimbava, tentando ganhar tempo. Os dois discutiram, trocaram socos e pontapés e acabaram envolvendo os outros jogadores. O juiz da partida, Carlos de Oliveira Monteiro, ficou assistindo à briga, esperou a coisa acalmar e, no final da confusão, expulsou todo mundo: Lindolfo, Nena, Valter, Herminio, Clóvis, Ceci, Dido, Renato, Nelsinho, Edmur e Ortega, da Portuguesa; Pianowski, Tomé, Floriano, Ruarinho, Bob, Juvenal, Garrincha, Dino da Costa, Carlyle, Jaime e Vinícius, do Botafogo. Naquele dia, só escaparam Osvaldinho, da Lusa, e Arati, do Botafogo, que haviam sido substituídos por Nelsinho e Ruarinho.
Derrota em clássico para o Corinthians fez Palmeiras ultrapassar 90% de risco de rebaixamento. Foto: Ricardo Matsukawa/Terra
O bafafá no clássico paulista só prejudicou o Palmeiras, que está com 92% de chances de queda.
Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

08 setembro 2012

Um novo tempo

Após a 22ª rodada, o Campeonato Brasileiro tem um novo líder: o Fluminense assume a ponta depois de bater o fragilizado Santos no Engenhão, pelo placar de 3x1, com dois gols do lépido Wellington Nem e um golaço da jovem revelação das bases Tricolores, Samuel! Apesar dos desfalques das peças-chave Fred e Deco, o time das Laranjeiras tem suportado bem as ausências. Wagner, Samuel, Sóbis e Thiago Neves têm suprido as lacunas e, por enquanto, deram conta do recado. Verdade que a partida que o Galo tem a repor deve lhe dar mais 3 pontos - salvo algum acidente grave de percurso, mas, de qualquer modo, o time carioca já mostrou que é consistente e deve brigar pelo título até o fim. Galo que já não mostra o mesmo fôlego. No returno, amealhou apenas 2 pontos dos 9 disputados e suscita apreensão na torcida alvinegra.
O Grêmio, por sua vez, mostra que também está na briga. Ascendeu meteoricamente na tabela, graças à boa seqüência de vitórias - 75% de aproveitamento nas últimas 8 rodadas. Sendo o time que mais venceu em casa (9 êxitos como mandante), o tricolor dos Pampas se candidata à peleia. Apenas 1 ponto o separa do segundo posto. Tal sucesso pode ser creditado, em boa parte, a Luxeba. O comedor de manicures resolveu fechar a matraca e trabalhar, botando o time em ordem. Com os bons Zé Roberto e Elano agregados ao elenco, o treinador-vedete consegue manter uma bela regularidade e mostra que continua sabendo fazer um time jogar quando quer - e quando consegue manter o ego sob controle.
Na outra ponta, vemos os dramas em verde e branco. O Parmêra vem penando para tentar se livrar da ZR, tarefa inglória para Felipão, que anseia por uma seqüência de resultados para animar o elenco. Não será fácil, pois esse é tido como um dos piores Palmeiras dos últimos tempos, como já se pôde ver na Copa do Brasil, quando se sagrou campeão jogando um futebolzinho sofrível. Outro alviverde em situação de penúria, o Coxa já demitiu Marcelo Oliveira e botou o consultor Marcos Santos no comando do time. Contando com o apoio de Tcheco, espera-se que esse novo comando possa tirar o grupo da catarse. O Coxa tem um péssimo retrospecto fora de casa, onde perdeu 8 das 12 que jogou como visitante. Não acho que o problema do Coxa seja de comando, mas de elenco mesmo. O time vive dos lampejos de Rafinha. O resto observa o jogo. É muito pouco para um time que anseia qualquer coisa mais do que figurar no álbum de participantes do certame nacional.
E, falando em dramas, temos Adriano e o Framengo, né? O ex-atleta não pára de desafiar a sorte, entregando-se de corpo e alma à boa vida, enquanto o clube continua querendo ser enganado. Patrícia Amorim parece ter perdido o controle e se desafina com Zinho, o Diretor de Futebol encarregado de botar ordem no banzé. Pelo menos podiam combinar o discurso antes de falar com a imprensa.
Enquanto isso, a nossa Seleção continua a deixar pulgas e mais pulgas atrás das orelhas brasileiras. Apenas Oscar tenta buscar jogo nessa meiúca meio desordenada, onde Neymar teima em esperar jogo na ala esquerda. Ser salvo por Hulk em pleno Morumbi não é bem o sonho dos torcedores acostumados a outros tempos.
Você sabia?
João Celho Neto, o Preguinho, nasceu no Rio de Janeiro, em 1905. Atleta do Fluminense, atuou pela seleção brasileira em cinco jogos, obtendo quatro vitórias e uma derrota. Fez pela seleção canarinho um total de sete gols, média superior a um por jogo. No entanto, entrou para a história ao fazer o primeiro gol brasileiro em uma Copa do Mundo (1930), aos 17 min do segundo tempo, no jogo contra a extinta Iugoslávia, na derrota por 2 a 1. Na partida seguinte, contra a Bolivia, ele marcou mais dois gols, na vitória brasileira por 4 a 0. Com isso, se tornou o artilheiro da seleção na competição, com três gols. Esta foi a única Copa que ele disputou.
   Foto: Ricardo Matsukawa/Terra
A torcida compareceu em peso ao Morumbi para ver a Seleção de Mano.
Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

09 julho 2012

Como há 100 anos

O Coxa foi a Barueri para encarar o Palmeiras, pela Copa do Brasil, e levou um duríssimo 2x0 que serão difíceis de reverter em casa. Os torcedores estão confiantes, acreditando em pelo menos uma decisão por pênaltis. Eu não sei, não. Tenho cá para mim que, agora, sim, o Coxa levou muito azar. Azar de ter levado os gols que levou e de ter uma arbitragem um tanto "esquisita", que prejudicou o time. E uma dose de incompetência, pois não consegue botar a bola para dentro das redes do adversário, seja ele quem for. O time do Alto da Glória carece de alguém no comando do ataque. Um chamado "matador". Deixou escapar Loco Abreu não sei nem como! A continuar assim, será a segunda morte na praia consecutiva dos coxas-brancas.
O Galo continua liderando o Brasileirão, para deleite do Vinícius, que teima em acreditar em Ronaldinho Gaúcho, já rejeitado até pela Coca-Cola. Verdade que as 6 vitórias animam qualquer um, mas, convenhamos, uma meiúca que dependa de um velho Mancini, de um já decadente Rychyarlyssyon-y, de Serginho, de Pierre (que já não foi grande coisa no Palmeiras), do já batido Escudero e do famigerado RGaúcho, não pode render muito tempo. É já, já que abre o bico.
O Peixe venceu sua primeira no campeonato, justamente contra o Grêmio de Luxeba, que ainda tenta voltar ao estrelato. O Santos parece que vai definhando aos poucos. Acaba de se desfazer de Elano e Ganso já está com um pé no Beira-Rio. O outrora decantado planejamento do clube começa a ser questionado...
O Inter se junta ao Botafogo na contratação de nomes retumbantes, fazendo a festa da imprensa, sempre ávida por notícias bombásticas. Forlan no RS e Seedorf no RJ vão render notícias suficientes por um bom tempo - pelo menos até eles começarem a ser questionados. Ainda mais se forem vistos nas noitadas...
Por enquanto, notícia mesmo é o Fla-Flu centenário, com vitória do Flu, cumprindo o que estava escrito 40min antes do nada: "quem nasce para pentelho, nunca chega a bigode" - já dizia Edmundo Reichmann. Bastaram 10min de jogo para Fred, em sua volta (mais uma) aos gramados, sacramentar a superioridade Tricolor. Depois do gol, o Flu recuou, deixando o jogo para o Framengo. As únicas investidas do time das Laranjeiras aconteciam nos pés de Wellington Nem. Thiago Neves pouco apareceu e foi substituído junto com Deco, em franca (e prematura) opção pela defensiva. E o Framengo se empenhou, colocando uma gurizada ligeira em campo, com muita vontade e pouca organização, como de praxe nos times de Joel Santana. Mas, como já se sabia, perdeu mais uma.
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O "parabéns" teve 3 cores.