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12 outubro 2012

Julgamentos

A 10 rodadas do final, o Campeonato Brasileiro aponta um líder com uma baita vantagem sobre os demais, suscitando o questionamento sobre a decisão antecipada do torneio. Afinal, o Fluminense não está somente com a larga folga de 9 pontos em relação ao Grêmio, segundo colocado, mas também está numa fase em que tudo dá certo. Ganha quando joga bem, ganha quando joga mal, mantém a distância mesmo quando perde... Quando é assim, não adianta praguejar, rezar contra, jogar mau-olhado. Claro, que a fase passa, mas, convenhamos, perder 9 pontos nas 10 rodadas finais vai ser um milagre. Talvez tão grande quanto o realizado em 2009. E, claro, o Flu conta com um bom elenco. Hoje, o melhor do país, no papel. Com uma espinha dorsal montada a partir de um grande arqueiro, Cavalieri, que vive uma grande fase. Pega tudo! Hoje, é o melhor goleiro do Brasil. Passa por Deco, que, embora não seja uma figura sempre presente em campo, desperta os instintos mais primitivos nas defesas adversárias, já que pode colocar bolas precisas. Ainda tem Thiago Neves, um bom jogador, exímio em bolas paradas. E culmina em Fred, o artilheiro que tem feito a diferença desde 2009.
A diferença chegou a essa grandeza após a derrota do então segundo colocado, o Galo, para o Internacional, lá no RS, em um cenário que despertou diversos questionamentos bastante razoáveis. Tudo por conta da suspensão de Ronaldinho Gaúcho pelo STJD, com o parecer de um tal de Jonas Lopes Neto, auditor do STJD e flamenguista de carteirinha - o mesmo que condenou Loco Abreu por beijar o escudo botafoguense na frente da torcida rubro-negra. Para quem não se lembra do episódio (ou não sabe mesmo, no caso das meninas), Ronaldo deu uma entrada descabida em Kléber no jogo Galo x Grêmio pela 26ª rodada. Na ocasião, nem falta foi anotada pelo árbitro Héber Roberto Lopes, também julgado pelo STJD e absolvido. O bafafá todo gira em torno da decisão tomada pelo STJD, de punir o jogador apesar de o árbitro nada ter apontado. Isso pode, Arnaldo?
No meu entender, pode. E deve. Digo, deve haver uma instância fora do jogo que analise e monitore desempenho de árbitros e interfira em questões disciplinares e regulamentares, a fim de evitar distorções. Assim, se um jogador comete um delito, ainda que não visto ou apontado pelo árbitro, o STJD poderia, com base em imagens de TV e depoimento de atletas ou arbitragem, decidir pela punição dos faltosos - além daqueles já admoestados pela arbitragens, claro. Assim, acho legítimo o STJD julgar o Ronaldo pela entrada (desleal, aliás) sobre seu companheiro de profissão. O que não pode, obviamente, é ter a distorção onde se julga! Não pode o STJD demorar 3 semanas para agir sobre o caso. Não pode o STJD punir o atleta pela falta em questão e inocentar o árbitro que não puniu o atleta no ato - fica incoerente, certo? Claro que não há como evitar torcida, afinal, os componentes do STJD também têm direito a torcer por um time, mesmo que seja o Framengo. Paulo Vinícius Coelho já aponta isso aqui.
Claro que isso não é lá muito fácil de evidenciar. Afinal, temos um Toffoli, evidentemente vendido para o PT, julgando o men$alão no STF. Isso pode, Arnaldo?
Você sabia?
O primeiro jogo de futebol com transmissão colorida no Brasil foi um 0 X 0 de um amistoso entre uma seleção de Caxias do Sul e o Grêmio. Disputado no dia 19 de fevereiro de 1972, era parte da programação da Festa da Uva da cidade. Essa experiência da TV Difusora de Porto Alegre foi retransmitida pelas TVs Rio, do Rio de Janeiro e de Brasília, e pela TV Record, de São Paulo.

Site do TRE/RJ
Jonas Lopes, o auditor-torcedor.

15 janeiro 2012

Copinha

Férias são uma coisa boa. Servem para relaxarmos das agruras diárias, aliviar o tal do "estresse" e curtir momentos com família, amigos. Mas há duas coisas muito chatas em férias: i) acabam; ii) não tem futebol na TV. E, convenhamos, ficar sem futebol na televisão nos leva a questionar a utilidade desse fabuloso equipamento doméstico. Se não for para ver futebol, para que serve? Para ver novela ou BBB é que não. Notícias podem ser vistas na internet ou nos jornais impressos. Mas o futebol, bem, esse ainda é melhor visto na telinha. E nesses períodos de seca ludopédica tudo fica mais chato, mais enfadonho. Mesmo as reuniões de amigos ficam mais curtas, já que o tema principal está escasso. Ainda bem que há iniciativas como a Copinha, oficialmente denominada "Copa São Paulo de Futebol Júnior", que reúne 96 equipes Brasil afora. Disputada desde 1969, acontece geralmente no início do ano, de modo que a final seja disputada perto do aniversário da cidade de São Paulo (25 de janeiro). As duas primeiras edições foram disputadas apenas por clubes do estado de São Paulo, mas, a partir de 71, passou a receber clubes de todo o Brasil. Desde então, a Copinha é um torneio muito observado por imprensa, torcida, empresários e clubes, uma vez que é considerada a principal oportunidade para se descobrir futuros craques do futebol brasileiro. Originalmente a competição era chamada de Taça São Paulo de Juniores e organizada pela Prefeitura de São Paulo. Em 87, o então prefeito Jânio Quadros, muito lúcido, como sempre, decidiu não arcar com a Taça São Paulo, que não foi realizada naquele ano e passou a ser organizada pela FPF. O Corinthians, primeiro vencedor da disputa, é o clube que mais venceu o torneio, com 7 canecos. O Paraná é o único estado do Sul que ainda não teve um time vencedor. E o Bahia é o único time do NE que já chegou a uma final.
Só em quatro anos os times paulistas não estiveram presentes nas finais. Nestas ocasiões houve confrontos entre Fluminense x Botafogo em 1971; em 1980 entre Internacional x Atlético Mineiro; em 1996 entre América-MG x Cruzeiro; e em 2011 entre Flamengo x Bahia.
As equipes que passaram a primeira fase de grupos disputam eliminatórias em jogos "mata-mata", até que se chegue ao jogo final. Até aqui, algumas equipes respeitadas como São Paulo e Framengo - este, aliás, campeão da edição anterior, caíram logo na primeira fase, enquanto outras, como Corinthians, Fluminense e Palmeiras, seguem firmes rumo ao título. Palmeiras, que, vale a ressalva, é o único "grande" de SP que ainda não ganhou uma Copinha. Com um time forte, é reconhecido como um dos principais candidatos ao caneco de 2012.
Ainda que não seja um primor técnico, a Copinha é um razoável aperitivo e um belo alento aos amantes do mais popular esporte do mundo, que pelo menos têm uma justificativa plausível para ligar sua televisão, abrir uma cerveja, um pacotinho de amendoins (pipoca, pistache ou caju também valem) e mandar a mulher parar de amolar.
É interessante ver a gurizada aparecendo na Copinha e acompanhar sua trajetória rumo ao "time de cima", onde podem mostrar o que aprenderam. Gente como Neymar, Falcão, Lucas, Cafu, surgiram na Copinha e conquistaram seu lugar no cenário mundial.
Ainda que eu vá ouvir reclamações, acho que a Copinha é melhor que o Campeonato Paranaense...
Os jogadores do Fluminense se reúnem para uma última corrente antes da partida  Foto: Mauro Horita/Terra
Flu vence mais uma; despacha o Bahia e segue na Copinha.