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17 novembro 2012

Vale a pena ter Neymar?

A pergunta acima pode parecer uma bobagem. Afinal, que time não quereria ter um Neymar? Um craque de primeira grandeza, um moleque travesso com a bola nos pés, um artista indomável que cria infindáveis obras de arte em campo. Bem, não se findam os elogios para caracterizar quão bom o magrelo de cabelo espevitado é bom de bola. Mas, como nada é de graça, qual é o preço de ter um jogador como Neymar?
Vejamos...
Primeiramente, claro, tem o salário do cara. Não pode ser baixo, senão alguém vem, paga mais e leva. E como faz para pagar um salário suficientemente alto? A artimanha utilizada pelos clubes é dividir o "salário" do chamado "direito de imagem", que é um eufemismo para salário, tentando escapar da legislação. Aparentemente, não tem dado muito certo, pois na hora de reclamar os atrasos, essa parte tem sido considerada como integrante do salário e os clubes acabam se dando mal do mesmo jeito. O dinheiro vem do clube mesmo ou de uma empresa parceira que o banque - ou seja, de todo jeito, vem do clube, certo? E se o clube gasta muito com um dos atletas, como faz para pagar os demais? Ou seja, no caso concreto, paga uma grana federal para o astro e os demais ganham menos. Há uma justiça, já que o craque joga mais, chama público e angaria torcedores, mas há que se considerar a tal da inveja, que por vezes assombra os vestiários. Vide o caso de Ganso no Peixe.
Enfim, o clube gasta uma soma considerável para manter o astro no elenco. E é um esforço monumental, convenhamos. Uma despesa que poderia contratar, quem sabe, uns três jogadores bons, não craques, mas bons. Por exemplo, com a grana que se paga o Neymar, o Peixe poderia contratar, digamos, um bom lateral, como o Wallace, do Flu, um bom meiúca, como o Paulinho do Curínthia, e um bom armador, como o Jean, do Flu. Certo que nenhum destes faz chover, como Neymar, mas não dariam um melhor equilíbrio ao time?
Há uma outra questão que também deve ser posta na balança: Seleção Brasileira. É certo que Neymar vestirá a amarelinha com frequência, ou seja, desfalcará o time de branco. Portanto, mesmo tendo o craque no elenco, o time não poderá contar com ele em certos momentos, o que, de fato, ocorreu neste ano e ocorrerá por muitos outros.
Ou seja, também sai caro manter um astro da magnitude de Neymar no elenco. E não só financeiro. Exige um baita planejamento para lidar com essa situação, o que não é exatamente uma tradição nos clubes brasileiros. Demanda um brutal esforço de marketing, de convencimento de investidores, de vender o clube a quem possa e queira comprar, por exemplo, espaço em camiseta.
Tenho cá prá mim que o Peixe, até agora, lidou bem com o caso Neymar. Manteve o guri, valorizando seu passe e utilizando sua imagem para angariar torcedores e investidores. Mas, chega um momento em que o esforço já não compensa e é hora de usar outra estratégia. O Santos não resiste muito mais tempo ao assédio europeu. É questão de tempo para Neymar bater asas. O que será salutar para ele, por ganhar cancha entre os melhores, e para o clube, que faz um caixa considerável para investir em outras joias. Se é que tem planos para isso...
Neymar vale a pena?

22 setembro 2010

O caso Neymar

Afinal, quem ganhou? Neymar, que agora pode jogar? Dorival, que se manteve inflexível em manter sua autoridade? O Santos, que pode colocar sua joia para jogar?
Antero Grecco já dizia que o momento pedia muita sensibilidade e espírito desarmado para que a situação não descambasse para a ruptura. E foi bem o que aconteceu, numa história bastante mal contada.
Dorival disse que tinha o respaldo da Diretoria que, por sua vez, achou que o treinador descumpriu o 'acordo de cúpula', no qual os cartolas atenderiam a exigência do técnico, demonstrando publicamente o respeito à hierarquia e, em contrapartida, o jovem astro estaria no clássico contra o Corinthians. O treinador não seguiu o script e ratificou a punição. Os dirigentes não gostaram e o desfecho foi a demissão. Mas, pergunta-se: se existiu esse acordo, por que Dorival voltou atrás? Se ficou incomodado, por que não discutiu antes de tornar oficial sua decisão? Houve falha de comunicação? Quem se beneficia com a desavença?
Isso para não falar na multa pela rescisão do contrato com Dorival - R$ 2 milhões. Não houve nem a tentativa da moderação ou a ponderação pela extensão da “geladeira” de Neymar.
Dorival se mostrou irredutível e não se incomodou com a queda. Deve ter entendido que sua autoridade ficaria arranhada caso colocasse Neymar num jogo importante para seu time.
O que se percebe é que os tempos alegres de Dorival e equipe já vão longe. O que fazia o Peixe um time 'diferenciado' virou sisudez, clima pesado e sucessão de manchetes em jornais devido ao mau comportamento dos atletas.
O que se espera, depois dessa seqüência confusa, é que o Santos aprenda a lidar com Neymar, um jogador fenomenal, uma grande aposta, mas que precisa botar a cabeça no lugar. Se ele ficar com a impressão de que é mais poderoso do que o treinador e que isso lhe dá carta branca para fazer o que bem entender, terão mesmo criado um monstro. Difícil de controlar e cujo retorno será altamente duvidoso.
Já Dorival Júnior não ficará muito tempo desempregado, como ocorreu ao sair do Vasco, logo após reconduzir o time para a Série A. Dizem as más línguas que seu endereço seria o Morumbi.
Veremos...

20 agosto 2010

Sem deixar por menos

A rivalidade no futebol é um dos temperos essenciais para o sabor da diversão. E nenhuma é tão acirrada quanto à da dupla GreNal. Para ilustrar, a Coca-Cola teve de mudar a cor do símbolo, no patrocínio dos anos 80, para não macular a camisa do Grêmio. 'Vermelho, na camisa do Grêmio, só se for o sangue do jogador', teria dito um Diretor do clube, à época. Obviamente, há limites entre a picardia que anima o cenário e as barbáries degradantes que vemos de vez em quando... Pois o Grêmio não deixou por menos e já espicaçou a conquista colorada, estampando a manchete abaixo nas páginas de um jornal de Porto Alegre, 'parabenizando' o Inter pelo bi da Libertadores, mas com a ironia bem à mostra.
Inter, aliás, que ganhou com méritos ao virar o placar contra o Chivas, no Beira-Rio. Começou nervoso, errando, mas conseguiu se encontrar em campo e impor seu melhor futebol. Nada inesperado na conquista, já que o resultado conquistado lá no México antecipava o endereço final da taça. O feito teve repercussão mundo afora, sobretudo na vizinha argentina, pátria dos hermanos D'Alessandro, Guiñazu e Abbondanzieri.
O dia do fico
Neymar disse 'não' ao Chelsea e ficou na Vila, depois de ouvir conselhos de gente como Pelé, Zagallo e Mano Menezes. Neymar quer 'servir de exemplo' para que outros jogadores permaneçam em seus clubes. O craque teria recusado uma proposta milionária para ganhar pouco mais da metade no Peixe. Independente dos valores, o que Neymar vier a ganhar no Santos já seria, sem dúvida, grana suficiente para deixar o burro dele e da família inteira na sombra. Basta um pouco de cabeça. E é aí que, penso eu, deveria entrar o clube, ajudando na formação do cidadão, não só do atleta. Facilita até no relacionamento entre as partes em situações como essas.
Agora, o Santos volta suas atenções para renovar as bases contratuais de Paulo Henrique Ganso. A multa rescisória do meio-campista é de 50 milhões de euros (R$ 112 milhões), com contrato até 28 de fevereiro de 2015. Deve ser outra novela...