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08 dezembro 2013

É o fim

Como já esperado, confirmou-se a queda dos cariocas Fluminense e Vaishco à Série B do Campeonato Brasileiro. O Flu ainda se torna o primeiro campeão brasileiro rebaixado logo após a conquista do certame. Em comum, além do péssimo desempenho em campo, está a conturbada administração dos clubes. No cruzmaltino, Roberto Dinamite, ídolo do clube, não consegue fazer sua gestão engrenar. Eleito pela primeira vez em 2008 e reeleito em 2011, sua passagem como cartola na Colina amarga a pecha de, no mínimo, pouco marcante, com acusações de desvios de conduta por parte da oposição e com o time rebaixado pela segunda vez à Segundona. Desconhecemos os meandros e as disputas internas, que não devem ser poucas, já que Eurico Miranda, seu desafeto e principal opositor, é um gângster que usa todas as formas, lícitas ou não, para fazer valer suas vontades. No Tricolor, a desavença com o principal patrocinador, a Unimed, saiu caro. Bancando boa parte dos salários do elenco do time, incluindo a comissão técnica, o patrocinador costumava impor suas vontades sem muita resistência, até a eleição de Peter Siemsen, que resolveu mudar as regras do jogo. Sua reeleição mostra que tem fôlego para continuar na empreitada, mas não significa que será fácil. Lidar com a torcida em revolta pelo mau desempenho dentro de campo e, ao mesmo tempo, alterar o equilíbrio de poder dentro do clube é uma tarefa "dificilíssima", como diria Leovegildo Lins da Gama Júnior, o Capacete.
Mas, o destaque da última rodada ficou com as lamentáveis, decepcionantes e repugnantes cenas de violência protagonizadas em Joinville pelos torcedores do Atlético e do Vaishco. Uma barbárie sem precedentes, com panoramas dignos de qualquer filme de pancadaria. É impressionante como não conseguimos organizar minimamente a competição mais importante do esporte mais apreciado por essas bandas. Uma mostra inequívoca de nossa incompetência administrativa. Uma declaração clara de que nossa sociedade é selvagem, composta por gente burra, muito burra.
Que os feridos se restabeleçam e que os culpados sejam mesmo identificados como prometeu o Atlético, mandante do jogo e, como tal, responsável por prover as condições de jogo e dos torcedores. Que os culpados sejam punidos exemplarmente e nunca mais voltem a um estádio de futebol.
É o mínimo.
E vem uma Copa para cá?
Foto: Giuliano Gomes/Gazeta Press

17 março 2013

De quem é culpa?

A violência nos estádios é o assunto da moda. Depois do bafafá corintiano em terras bolivianas, onde até morte houve, o tema virou o tema central do futebol. E ganhou força com a proximidade da Copa do Mundo a ser realizada em terras tupiniquins e o evidente despreparo local para lidar não só com a violência das torcidas dentro dos estádios, mas também fora deles. Afinal, não são incomuns as quebradeiras de ônibus, lojas, estações-tubo (no caso de Curitiba) e demais alvos dos infames vândalos. Sim, esses meliantes não passam de vândalos, seres bestializados pela ignorância e pela falta de cumprimento de regras mínimas de convívio social. A causa disso, pelo menos em parte se deve, claro, à péssima civilidade do cidadão médio brasileiro. O que não explica tudo, pois há violência também na Europa, onde o quadro é bem diferente. A diferença é que lá a reação foi pronta e eficaz. Não é que se tenha eliminado a violência, lógico, mas reduziram-na a um patamar bem aceitável. Pelo menos não se noticiam eventos como o que ocorreu no Estádio do Heysel, na Bélgica, em 85, na final da Taça dos Campeões Europeus, entre Liverpool e Juventus. Há, ainda, alguns casos de racismo, mas que não são de violência, no sentido de pancadaria mesmo. E esse controle não veio de graça, lógico. Foi fruto de medidas enérgicas adotadas em toda a Europa - com ênfase na Inglaterra, onde são mais brigões. Filmagem da torcida para identificação de arruaceiros, prisão e julgamento de baderneiros, com foto e registro para restrição de acesso são algumas delas. Obviamente, isso tudo só funciona com polícia em volta mantendo o barraco em ordem. E para descer o cacete quando precisar, claro. Por aqui, só tem a parte final, a da polícia dando porrada. E mal. São insuficientes, com pouco preparo e equipamento deficitário. Mal conseguem conter os mais exaltados dentro do estádio e nas ruas ao redor. Passou de 3 quadras, muda de figura. Além de não haver o menor controle sobre quem promove as brigas, esses são, em geral, de alguma forma envolvidos com os clubes por meio das torcidas organizadas - um eufemismo para "bando de vadios que querem moleza para assistir os jogos e promover baderna com o intuito de defender uma suposta honra futebolística". Os cartolas geralmente se aproximam desse bando, quando não são coagidos pelos "torcedores organizados", com o intuito de alguma maracutaia. Seja para ter algum cacife junto ao clube, seja para manter certa paz, os mandatários cedem algumas benesses às tais torcidas, geralmente com entradas na faixa, acesso preferencial ao estádio e às dependências do clube e outras merrecas similares. Penso que enquanto o clube não for responsabilizado, o abacaxi não se descasca. Se pararmos para pensar, o jogo é um evento particular, organizado por uma entidade privada e disputado por clubes que são privados. Assim, fico pensando por que diabos a polícia é quem deve fazer a segurança dentro do estádio, para começo de conversa. Dá para aceitar que se controle as vias públicas, afinal, como o nome diz, são públicas mesmo, mas a atuação dentro do estádio deveria ser da responsabilidade do dono da birosca e dos organizadores do evento (federações ou a CBF). E essa responsabilidade se estenderia aos efeitos do jogo. Assim, se os abilolados depredam vias públicas, que o clube ressarça a sociedade. Se há quebra-quebra em lojas, o clube que pague o prejuízo. Se neguinho jogou rojão dentro do estádio, o clube tem de ser punido. Enquanto os clubes forem tratados como isentos de suas responsabilidades, como se fossem imberbes, o torcedor assim o fará também. Afinal, regras similares já valem para outras atividades que assumem sua parte dos efeitos que causam à sociedade, não? Então...
É a polícia que tem que conter os enfurecidos?