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28 setembro 2012

Efeitos deletérios

Finalmente regularizado após a realização do jogo atrasado ainda do primeiro turno, o Campeonato Brasileiro entra em sua 27ª rodada com uma certa distribuição uniforme entre os 4 primeiros colocados. O líder mantém uma relativa folga em relação ao segundo colocado, que mantém certa margem em relação ao terceiro que, por sua vez, mantém distância ao quarto posto.
O embate entre Framengo e Galo, adiado da 14ª rodada devido ao mau estado do gramado do Engenhão, teve previsão de realização em locais alternativos até ser oficialmente marcado para... o Engenhão! Sim! Deram-se voltas, oscilações para, enfim, voltar-se ao ponto de partida. Há consenso que o gramado estava mesmo ruim, como atestavam as várias e recorrentes reclamações do todos que lá jogavam à época. Porém, adiar o jogo para outro momento acarreta nesta distorção, em que um time é beneficiado por evitar um confronto em uma fase desfavorável. Foi o que aconteceu com  o Framengo, que, à época do adiamento, fazia uma campanha sofrível, enquanto o Galo vinha embalado, atropelando todo mundo. Adiar o jogo foi a decisão mais impactante que se poderia tomar, uma vez que a partida poderia muito bem ter sido marcada para Volta Redonda, por exemplo, onde se costuma receber alguns jogos de times cariocas. Mas, quis a CBF, com toda sua verve pró-Framengo, que fosse marcado em outra época, justamente quando o time mineiro experimentava um decaimento severo de seu rendimento. Embora todo mundo (menos o Vinícius) soubesse que o alvi-negro de BH não fosse mesmo manter o ritmo, não é razoável que o time seja prejudicado desta forma. Essa decisão interfere sobremaneira no andamento natural do certame, onde as oscilações de desempenho dos times geram, justamente, as alterações de colocação na tabela.
À parte esse aspecto duvidoso, vimos que o Galo arrefeceu. Do galope inicial, passou a um trotar suave no segundo turno, com ímpetos mais contidos e sem tanta felicidade nas jogadas. Enfim, desceu do patamar de favorito nos jogos para o de "um dos fortes". Já o Framengo, vive, enfim, lua-de-mel com a torcida, que parece acreditar no time - significando que tem boas chances de se livrar do rebaixamento e, quem sabe, por uma maré muito favorável ou mais algumas ajudinhas, chegue a uma vaga na Libertadores.
Enquanto isso, o Flu agradece e sobra na liderança, agora com 4 pontos de vantagem para o vice, enquanto o Grêmio busca encostar no combalido Galo para, quem sabe, brigar pelo título. Entrando no terço final do campeonato podemos ter uma noção melhor de quem embala para abraçar a taça.
Você sabia?
A maior média de gols em uma Copa foi a de 1954 (Suíça). Foram marcados, em média, 5,4 gols por partida. Já a menor média de gols em uma Copa foi a de 1990, na Itália, quando foram marcados, em média, 2,21 gols por partida - menos da metade daquela!
Ronaldinho retornou ao Engenhão e reencontrou o Flamengo na noite da última quarta-feira. Diante da hostilidade da torcida agora rival, o craque do Atlético-MG brigou, disputou, reclamou e tentou comandar o time mineiro, mas deixou o Rio de Janeiro derrotado por 2 a 1. Veja em detalhes o clima tenso que envolveu o jogo na capital fluminense  Foto: Daniel Ramalho/Terra
Ronaldinho Gaúcho foi bastante hostilizado pela urubuzada. Com razão!
Foto: Daniel Ramalho/Terra

22 fevereiro 2011

Golpe de mestre

Ricardo Tteixeira não está onde está à toa. Raposa velha, conhece os meandros do mundo do futebol, sobretudo o mundo político da bola. Sabe mexer nas vaidades e manusear as peças como poucos. Aprendeu bem com o sogro.
Assim fez com o cenário adverso. Manipulou as marionetes e criou um racha entre seus principais opositores, colocando um prato novo na mesa: a Taça das Bolinhas. Ao 'reconhecer' o título do Framengo de 87, dividindo-o com o Sport, Ricardo Teixeira jogou uma isca prontamente aceita pelos rubro-negros, que é a reivindicação do direito de posse do dito troféu, destinado ao primeiro ganhador de 5 títulos brasileiros e atualmente nas mãos do São Paulo. Aproveitando os ânimos exaltados pelo bate-boca travado desde o sexto título dos paulistas, Teixeira lançou oportunamente o anúncio do reconhecimento do título flamenguista, lançando mais lenha na fogueira das vaidades. Lembrando que isso é só o começo, pois o Sport já obteve na justiça o direito ao reconhecimento e vai brigar para ser o único campeão de 87. Pronto! Está feito o factóide para que Framengo e São Paulo rachem a oposição à CBF.
Foi ou não foi um golpe de mestre?

01 outubro 2010

Pá de cal

Zico, o maior ídolo da Gávea, de todos os tempos, pediu para sair. E saiu, agravando a crise dos urubus, quatro meses após aceitar o convite de Patricia Amorim para ser o diretor executivo de futebol. A decisão foi publicada em seu site, em uma carta aberta ao clube e a seus torcedores. O próprio Zico, magoado, admitiu que existia um desgaste na função, uma vez que sua família estaria sendo usada para atacá-lo.
Diz-se, nas más línguas da Gávea, que seus filhos, Junior e Bruno Coimbra, teriam participado das transações de Borja, Val Baiano e Leandro Amaral e recebido comissão. Claro que não conhecemos os bastidores e posso até estar enganado, mas não acredito que o Zico faria isso. Ídolo da Gávea, cria da base rubro-negra, tem uma relação de amor com o clube e é conhecido por seu perfil sério e trabalhador.
O mais provável é o enredo de sempre: ele quis mudar, mexeu no vespeiro, os abutres dominantes não gostaram e partiram pro jogo sujo. E esse ambiente não é bom para ninguém.
O Framengo, assim como a maioria dos clubes brasileiros (e, por extensão, os governos e as instituições públicas), precisa de uma faxina que remova os tubarões e permita uma renovação. Fácil de falar, difícil de fazer. Trombar com 'Conselheiros', revestidos de poder, não é tarefa mole. Não vamos dizer que o Zico naõ tenha errado, mas acredito em suas intenções.
Infelizmente para o Framengo e para o futebol, o Zico perdeu a queda de braço. Pior para o Mengo, que vai amargar uma crise justamente na reta final do certame. Cheiro de segundona no ar!

18 março 2009

Penúria

A coluna abaixo é de Humberto Peron, que colabora com a Folha. Faz uma análise da situação do Framengo, que vale também para os demais clubes - sobretudo os cariocas, mais afeitos ao trambique.

17/03/2009
- Flamengo em ruínas
"Meeeeengo!". Por vários anos, só a possibilidade de ouvir a torcida do Flamengo entoando seu grito de guerra no Maracanã já colocava medo nos torcedores e jogadores adversários. Com este clima, o rubro-negro parecia que subia ao gramado como se já estivesse em vantagem no marcador. Ganhar do time no grande estádio era uma proeza. Muitas equipes consideravam as vitórias contra o Flamengo no Rio de Janeiro como históricas, ou comemoravam como se fosse a conquista de um título.
Hoje não. Ninguém mais respeita o Flamengo no Maracanã. Times pequenos e sem tradição não sentem o mínimo problema em desafiar o time mais popular do país. Também pudera: o rubro-negro de hoje está muito mais perto de ser um time mediano do nosso futebol do que uma potência.
Atolado em dívidas, o clube é uma equipe sem credibilidade. Faz pouco tempo os jogadores brigavam para atuar com o manto rubro-negro. Hoje, a maioria dos profissionais não demonstra a mínima vontade de ir para Gávea e, quando vão, fazem exigências absurdas, como pagamento antecipado. Os que estão no time estão loucos para deixar a Gávea --é lógico que eles não vão declarar isto.
Até o clube não vê o momento de se livrar de alguns dos seus principais jogadores para conseguir arrumar uns poucos trocados para pagar uma parcela do que deve aos outros atletas e demais funcionários.
Os torcedores do Flamengo precisam cair na real e aceitar de vez que o time, como eu já disse, está longe de ser um timaço, como os dirigentes do clube gostam de apregoar. Não adianta ir protestar contra os atletas, gritar que eles são mercenários e que não jogam com raça. Talvez os jogadores sejam os menos culpados desta situação. Sem receber e tendo que conviver sempre com a promessa dos dirigentes de que o dinheiro vai cair na próxima segunda-feira, fica difícil se concentrar em apenas jogar futebol.
O pior é que a falta de comando se reflete em situações de crise no elenco. As brigas em rachões, declarações polêmicas e contusões misteriosas surgem porque os jogadores não confiam mais nos dirigentes e aproveitam esse vácuo no poder para fazer o que bem entenderem. Como alguém pode levar a sério uma multa nos seus vencimentos se não recebe os salários?
É lógico que o buraco que se encontra o Flamengo já vem de algum tempo. A dívida atual do clube não foi criada nos últimos anos. Ficaríamos dias discutindo quais foram os culpados pela crise --por isso nem vale a pena ficar citando nomes de dirigentes, pois eles vão passar e o clube continua. Mas não posso eximir ninguém de responsabilidade, pois não faltaram dirigentes que assumiram o clube nos últimos anos e não o tiraram do buraco --pelo contrário, afundaram mais o time.
Talvez o grande erro do Flamengo tenha começado em meados da década de 1990, quando o clube praticamente abandonou as categorias de base para começar a investir em contratações milionárias. O time preferiu jogar várias revelações fora para montar o famoso ataque dos sonhos --aquele formado por Edmundo, Romário e Sávio-- e trazer medalhões que pouco acrescentaram, como Vampeta --trocado pelas promessas Adriano e Reinaldo--, Gamarra, Juninho Paulista e Edílson. Ou seja, o Flamengo foi se apequenando, porque deixou de lado uma das suas principais características que era formar seus ídolos em casa.
Não tem jeito. Para sair da crise em que vive, o Flamengo precisa parar com planos faraônicos. O time arrecada muito dinheiro, mas o joga no lixo. Não adianta gastar por conta, esperando que projetos sem consistência tragam retorno, como as campanhas de sócio-torcedor e uma TV --nem de longe, os dirigentes conseguiram arrecadar o que se projetava. Os planos mirabolantes só fizeram o clube dilapidar o seu patrimônio.
No mínimo, o Flamengo vai precisar de três anos para se reconstruir. Isso passa por recuperar a credibilidade pagando salários e fornecedores. É preciso uma reformulação total no departamento de futebol, como no primeiro momento uma redução drástica na folha do pagamento e no número de pessoas que pensam que comando o departamento.
Com certeza, os resultados vão demorar um pouco para aparecer, a torcida vai sofrer, mas com a esperança de que o clube consiga montar um time forte, com jogadores jovens e que tenham identificação. Assim o Flamengo vai voltar a brigar por campeonatos e não ser apenas um participante dos principais campeonatos.
O Flamengo precisa rapidamente dar um passo para trás, pois se continuar da maneira que está, o próximo movimento será a falência do clube.

13 março 2009

Mais um poeta...

Zidane resolveu dar uma de Pelé. Genial dentro das 4 linhas, no que se resume ao trato da bola, o francês já não vai tão bem no que concerne ao restante do mundo da bola. A cabeçada no final da Copa de 2006 que o diga... Agora, o ex-jogador vem palpitar sobre quem seria o melhor joador da atualidade, misturando alhos com bugalhos. Em entrevista ao diário britânico "Daily Mail", afirmou que, para ele, o meio-de-campo Gerrard, do Liverpool e da seleção inglesa, é o melhor de todos, incluindo Messi e Cristiano Ronaldo. Para Zizou, um jogador com as características de Gerrard, que é tão importante defensivamente como ofensivamente e sua ausência afetaria a equipe toda. Zidane lembrou dos tmepos de Real Madrid, quando dizia que Makelele (volante francês) era o jogador mais importante da equipe.
Acho um certo disparate. Verdade que ter um 'carregador de pianos' é importante para a equipe, mas daí a dizer que esse é o cara que melhor joga, vai uma distância abissal. Equivale a dizer que Clodoaldo era melhor que Pelé!
Creio que Zidane também ficari bem de poeta da boca fechada.

Crise
Enquanto isso, no Framengo, a debandada promete continuar. Depois de Marcelinho Paraíba, que veio fazer dupla com seu conterrâneo Carlinhos, no Coxa, agora é Josiel, emprestado até o meio do ano, quem fala em ir embora. É mais um descontente com a falta de pagamentos. Impressionante como o clube da Gávea se funda em um lodaçal de insolvência financeira. Deve para todo mundo, mesmo tendo a maior torcida do país e um patrocínio estatal muito mal explicado.
Verdade que os outros clubes cariocas não estão lá muito diferentes, mas o caso rubro-negro é emblemático pelo tamanho da dívida e pelo potencial empresarial que o nome tem. Um amadorismo estarrecedor que inviabiliza o clube.