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14 maio 2012

É campeão!

Vários campeonatos estaduais se decidiram nesse final de semana. Os principais, aliás.
No Rio Grande do Sul, o Inter bateu o Caxias depois de acordar e reagir ao que parecia ser mais um fiasco colorado, somando-se ao do Mazembe. Mas, o time lançou mão de D'Alessandro e Dagoberto para se levantar na segunda etapa e virar o jogo, confirmando o favoritismo e ampliando a vantagem sobre o arqui-rival com 41 canecos gaúchos - contra 36 do Grêmio.
Em Minas Gerais, o Galo sagrou-se campeão invicto contra o América, depois de assistir ao fiasco Cruzeirense no certame estadual e na Copa do Brasil. O time não se sagrava campeão invicto em Minas havia 36 anos. Coincidentemente, o Galo também tem 41 títulos estaduais contra 36 do Cruzeiro - a numerologia explica esse fenômeno. O título pode sair caro para o Galo, já que sustenta a permanência de Cuca no galinheiro.
No Paraná, o Coxa bateu o Trétis apenas na disputa por pênaltis, depois de um joguinho modorrento, e levou o caneco pela terceira vez consecutiva - repetindo o feito de 39 anos atrás. Claro que a coxarada vai e deve comemorar, mas sempre é sem-graça levar um título nessas circunstâncias. Faltou futebol à dupla AtleTiba. De qualquer modo, o Coxa mantém larga folga, com 36 títulos conquistados, contra 22 do Furaquinho. Petraglia vai ter de suar para arranjar argumentos contra os coxas.
Em São Paulo, o Peixe enfiou 4x2 no Guarani e também faz o "tri", após 43 anos. O último tricampeão foi o mesmo Peixe, na era Pelé, em cima do maior rival à época, o Palmeiras. Agora, o Santos empata com o São Paulo em número de títulos (20), enquanto o Curíntia lidera com 26. E o time de branco volta suas atenções à Libertadores.
No Rio de Janeiro, o Fluminense levantou o caneco após 7 anos de intervalo e soma 31 títulos - contra 32 do Framengo. Apesar do título, a preocupação ronda as Laranjeiras, pois Deco sentiu dores e foi poupado, levantando dúvidas sobre sua participação no primeiro jogo pelas quartas-de-final na Libertadores. Isso porque Fred e Wellington Nem, peças importantes no esquema de jogo Tricolor, já estão no DM!
Agora, jogo emocionante mesmo foi na Inglaterra, Manchester City x Queen's Park Rangers, na última partida do campeonato. O Manchester precisava vencer para levantar a taça depois de um jejum de 44 anos. E tudo ia bem, até que o QPR resolveu aprontar e virou o jogo para 2x1, com um homem a menos, mantendo o resultado até aos 45min da segunda etapa. Aí, como num roteiro de filme americano, o Manchester fez dois gols relâmpagos, na base da raça, e fechou o placar nos estertores da partida. Emocionante!
Os coxas ironizaram o chororô atleticano - e com razão.

25 janeiro 2012

A decisão da Copinha

A decisão da Copinha foi emocionante. Um jogão de bola, digno de menção. Corinthians e Fluminense jogaram em busca do gol, arriscando. Casa cheia, já que era feriado em Sampa, torcida praticamente toda a favor dos anfitriões no Pacaembu. Mesmo assim, o Tricolor foi superior na maior parte do jogo, segurando o ímpeto do time paulista com afinco e controlando o jogo. Até os 15min, só dava Flu. O Corinthians melhorou a partir daí, mas o time carioca ainda criava as melhores chances. Destaque no Tricolor para a meiúca, com Eduardo e Higor. No Corínthians, jogou bem o tal do Gomes (se não me engano no nome), um crioulo forte pacas, e, claro, o zagueiro Antônio Carlos, que marcou os dois gols alvi-negros. Por ironia, jogador das bases Tricolores, dispensado há uns 5 anos. Depois de abrir o placar, o Tricolor continuou melhor, jogando no contra-ataque com categoria. Porém, duas bobeadas da zaga deixaram o Corinthians balançar as redes.
A discussão ficou por conta do dirigente da CBF, José Maria Marin, de 79 anos, ex-vereador, deputado estadual e governador de São Paulo, também foi jogador do São Paulo e presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), que embolsou uma das medalhas durante a premiação. Claro que a FPF correu informar que a medalha foi um presente do presidente Marco Polo Del Nero, mas, convenhamos, as cenas não dão esse entendimento... Veja aqui o vídeo.

23 junho 2011

A América em branco e preto

O Santos Futebol Clube levou o terceiro título da Libertadores ao vencer o Club Atlético Peñarol e a geração Ganso/Neymar supera a de Diego/Robinho na história do clube, consagrando-se definitivamente e entrando para o cenário mundial. Afinal, a partida mais esperada do ano passa a ser a possível disputa pelo título do mundial entre os dois clubes mais badalados do momento: o Barça, reverenciado pelo mundo todo, e o Peixe, badalado na terra do principal expoente do ludopédio planetário. Dificilmente haverá um Mazembe no caminho do time brasileiro, já que a lição foi dada e espera-se que tenham aprendido. Porém, a questão é se o time se mantém até lá, pois o assédio sobre os craques aumentará e Ganso até já avisou que pretende sair. Neymar pai disse que o filho fica, mas veremos se repete isso diante de uma bolada de verdinhas na fuça.
Santos e Barça representam hoje, guardadas as proporções, o futebol mais artístico, mais lúdico, onde há espaço para o chamado "bom futebol", não tão pragmático, mas sem perder a objetividade. Bom para o futebol, que passa a ter bons modelos a seguir, pois são times vencedores além de virtuosos. Será a final da América em branco-e-preto contra a Europa em grená-e-azul.
O Santos fez uma boa campanha, facilitada pelos adversários não tão fortes, sobretudo na final, quando o ardido Vélez sucumbiu ao aguerrido (e pouco ofensivo) Peñarol. Deportivo Táchira, Cerro Porteño e Colo-Colo foram os adversários no Grupo 5, América do México o adversário das oitavas e o Once Caldas o das quartas de final. Voltou a enfrentar o Cerrro nas semi e chegou à final contra o Peñarol. Após um primeiro jogo fraco, de placar inalterado, o segundo, em casa, foi melhor. Pudemos ver a ampla superioridade do time brasileiro frente à limitação da equipe uruguaia, que se restringiu a explorar as bobeadas do time brazuca. Quando este se encontrava, virava jogo de ataque contra defesa. E o destaque santista foi o trio Ganso-Neymar-Arouca. Ganso é o coordenador da equipe, o cara que levanta a cabeça e põe a bola no lugar certo para que a jogada apareça, o cara que orienta o time e é a referência para os demais. Quando ele joga, o time tem personalidade e arte. Neymar é o astro, o cara que dribla, aparece, vai prá mídia, marca gols e incomoda mais que sapato apertado. Foi o principal jogador da campanha santista e é o mais visado na marcação. Arouca é o carregador de piano que sabe tocá-lo. Marca, mas sai bem para o jogo. O gol de Neymar na final é o exemplo típico dessa harmonia: Arouca rouba a bola, avança e toca para Ganso, que devolve num toque magistral, criando a jogada para Arouca, que rola a bola para Neymar concluir. Estava aberta a porta para o terceiro título sulamericano do Peixe.
Muricy também sai como vencedor, mais uma vez. Ao ganhar um torneio regional, acaba com o estigma que parcela mais ranheta da mídia e da torcida ainda teimava em manter. Depois de um fracasso com o São Caetano e três com o São Paulo, Muricy leva o caneco e hoje, é, sem dúvida, o treinador mais respeitado no futebol, alcançando o patamar de Luxeba dos tempos de Palmeiras - mas acho que com mais caráter (também, não precisa de muito para isso) e mais estofo que o comedor de manicures.

PS
* alguém me explica como um imbecil desses é eleito vereador?
* texto-verdade de Aírton Cordeiro

16 junho 2011

A primeira partida

Foi fraca. Os times não jogaram bem, mesmo dando o desconto de ser uma decisão, nervosismo, catimba etc e tal. Do Peñarol até já se esperava algo assim, já que o time não é lá essas coisas - apesar de estar na final. Marcam forte, têm vontade, mas esbarram no trato com o melão. Ainda assim, criaram umas duas boas chances de gol, aproveitando-se de bobeadas da defensiva brazuca. Por muito pouco que o Peixe não volta com a desvantagem! Porém, o time aurinegro limitou-se a esperar pelo zero-a-zero, tanto que a imprensa uruguaia festejou o resultado enaltecendo os brio sda equipe que conseguiu parar o Santos. Baixas expectativas do lado portenho...
Do lado do time de branco, notou-se a ausência de Elano, que sumiu do jogo! Botou a camisa, calçou meiões e chuteiras, mas não se mostrou para o time. Também Muricy dá a impressão de ter buscado o empate ao preferir um Santos mais preocupado em não tomar gols, com Adriano colado em Martinuccio e mais 3 marcadores na meiúca. E ainda fica reclamando da arbitragem. Vai entender...
A volta de Ganso no jogo do Pacaembu (a briga da CBF com o São Paulo impediu que o jogo fosse no Morumbi) deve dar mais estofo ao time paulista, com mais criatividade e inteligência no setor que pode municiar Neymar e o inoperante Zé Love - este, aliás, já deveria pedir para sair. A volta de Ganso ainda repete o jogo de 62, quando Pelé retorna aos gramados para se consagrar, após perder as duas primeiras partidas por contusão. Naqueles tempos, a disputa pelo troféu continental era decidida em melhor de três jogos, com o terceiro confronto sendo realizado em campo neutro - ou nem tanto... Com a distensão muscular sofrida na Copa do Mundo do Chile, o negão desfalcou o time na fase final da competição e viu o Santos chegar à decisão contra o então temido time uruguaio, bicampeão sul-americano. Em 30 de agosto de 1962, Pelé estava recuperado da lesão e entrou em campo, marcando dois dos três gols santistas na decisão e contribuir para a primeira taça de Libertadores ao clube alvinegro. Veremos se Ganso repete Pelé e bota a mão no caneco.

09 junho 2011

Afinal, a final

Como desejado pelos atleticanos, o Coxa ganhou mas não levou. Pressionou, sufocou, brigou, marcou e ganhou, mas faltou o detalhe do gol a mais para ficar com a taça da Copa do Brasil 2011. Achei impressionantemente fracas as atuações de Rafinha e Marcos Paulo. Este, aliás, mal se acertou em campo. Foi substituído logo para não comprometer o time. Sinal de que havia o compreensível nervosismo à tona no time do Coxa, fato que se observava em campo, com a bola queimando nos pés dos atletas de verde. E que se repetia nos atletas com a camisa da faixa branca. Diego Souza, mais uma vez, foi apagadíssimo em campo, fazendo jus à fama de amarelão.
O jogo se desenrolou dentro de um roteiro conhecido: o Coxa foi para cima, precisando marcar e correndo o risco de levar um, o que dificultaria exponencialmente seu trabalho. Não deu outra. No primeiro ataque cruzmaltino, Alecssandro balançou o barbante coxabranca, em rápido contra-ataque. Era tudo o que o torcedor coritibano não queria! O Vaishco passou a tocar a bola e queimar o tempo, enquanto o Coxa se esbaforia para tentar empatar. Rafinha não acertava uma e manteve essa regularidade em campo, enquanto a zaga espanava todas. Aliás, senti essa dificuldade no time verde-e-branco: tocar a bola! Roubavam todas, mas devolviam para o adversário dada a dificuldade de manter o melão nos pés. Só foi melhorar com a entrada de Marcos Aurélio...
O final do primeiro tempo devolveu as esperanças à torcida que lotava o Couto, pois a virada do placar colocava o Coxa de volta na briga. Teria mais 45min para marcar mais unzinho! Qual não foi a decepção quando o bom Edson Bastos comprometeu a equipe num frango inexplicável. Fosse o Manga, todo mundo saberia que estava vendido, mas Bastos não tem essa fama, então fica faltando entender como é que ele se enganou naquele chute! Era a segunda ducha fria que o time do Alto da Glória levava em uma noite gelada. E pela segunda vez o torcedor se encheu de esperanças. O golaço de Willian recolocou o Coxa na partida, ainda com 30min de jogo! Era o tudo ou nada! O jogo oscilava, lá e cá, com o time carioca se segurando nas beiradas. O tal do Bernardo entrou no Vaishco e botou uma certa ordem na meiúca carioca, enquanto Marcos Aurélio mostrou que é "o cara" do Coxa. Conseguiu impor um certo ritmo quando tinha a bola e deixou claro que fez muita falta ao padrão de jogo do time curitibano. Com ele em campo, o Coxa teria tido melhor sorte no primeiro embate...
O apito final sacramentou a conquista carioca mas não desmereceu o Coxa, que jogou bem, fez sua parte e por pouco não ficou com o caneco. E a torcida também está de parabéns: foi a primeira vez que a ouvi gritando uníssona, a plenos pulmões, empurrando o time. Quem sabe se acostumem com isso e passem a dominar o Couto mesmo quando o time não vai bem.

28 maio 2011

Copa do Brasil 2011

A Copa do Brasil chega ao seu final com dois ilustres novatos neste quesito. E o Vaischo já deu sinais de que não tem mesmo o costume de decidir os torneios dos quais participa, pois nem a venda de ingressos o clube conseguiu organizar. Antes mesmo da bilheteria abrir, esgotaram-se os ingressos causando grandes transtornos aos que enfrentaram fila e amolação (veja aqui). Já o Coxa não se faz de rogado e sobe o preço dos ingressos para faturar um troco a mais às custas da sua torcida.
Tolices à parte, o embate não será fácil para nenhum dos contendores. O Coxa decide em casa, o que pode pesar bastante. Mas, em meu modesto entender, o time paranaense jogará não só contra o Vaishco, mas também contra os interesses que sempre moveram o futebol (assim como qualquer atividade humana), significando que uma certa "ajudinha" ao time carioca, já que os times do Rio são pródigos nesse tipo de contribuição. E uma mãozinha no primeiro jogo pode determinar o endereço da taça. Tecnicamente, não vejo lá muita diferença entre os times. O Coxa já teve seu auge e, embora tenha uma meiúca razoável, falta um avante confiável. Além disso, o "encanto" passou e o time voltou ao normal, jogando um futebol razoável, sem grande brilho, mas que pode funcionar. Se o trio Rafinha/Léo Gago/Leandro Donizete se acertar, armam o jogo e complicam para o oponente, mas isso depende muito de uma certa permissão do adversário - como fez o Ceará, que não jogou contra o Coxa e deixou o alvi-verde curitibano dominar a partida e passear em campo. Contra o Vaishco deverá ser diferente. Apertando um pouco a marcação na meiúca, o jogo do Coxa titubeia e pode dar brecha para as jogadas de Diego Souza. Dependente do bom futebol dele, o time carioca ainda tem o sempre instável Felipe e o chato Alecsandro - que, se não é craque, pelo menos ajuda.
As equipes têm em comum um histórico recente de "fundo do poço": ambas se recuperaram de descenso e más administrações, que deixaram finanças e times em estado de penúria, mas que se recuperam graças a uma certa seriedade no trato interno. O Coxa, aliás, dá exemplo, pois pagou um alto preço pela bagunça no final de 2009 e volta aparentemente organizado para a Série A.
Meu palpite: dá Coxa.

17 julho 2009

Freguesia

O vexame do Cruzeiro em pleno Mineirão serviu para mostrar que somos fregueses dos adversários quando o assunto é decisão da Libertadores. Pela sexta vez, entregamos o ouro numa final para adversários estrangeiros. o último clbe a conseguir bater um vizinho foi o Parmêra, na decisão de 99 contra o Deportivo Cali. De lá para cá, só levamos o caneco quando jogamos entre nós.
A sina começou em 2000, quando o Palmeiras empatou com o Boca na Bombonera e não conseguiu vencer os argentinos no Morumbi. Nos penais, brilhou a estrela do goleiro colombiano Córdoba, que defendeu as cobranças de Roque Júnior e Asprilla, garantindo a vitória xeneize por 4 a 2.
Também o São Caetano perdeu nas penalidades para os paraguaios do Olimpia. Depois de vencer o alvinegro em Assunção, o Azulão perdeu por 2 a 1 no Pacaembu e viu o título escapar nas cobranças.
O poderoso Boca Juniors voltou a infernizar os brasileiros nos anos seguintes e de maneira impiedosa. Sem tomar conhecimento, venceu os dois jogos contra o Santos em 2003 (2 a 0 e 3 a 1) e Grêmio (2 a 0 e 3 a 0), em 2007. Em ambas, jogou mais.
No ano seguinte o Brasil voltou a ver um representante do país cair em seus domínios: depois de perder por 4 a 2 para a LDU em Quito, o Fluminense, heroicamente, conseguiu vencer por 3 a 1 no Maracanã e viu Thiago Neves passar de herói a vilão. Autor dos três gols no tempo normal, o meia perdeu um dos pênaltis na derrota por 3 a 1 na decisão por penalidades. Curiosamente, os últimos três finalistas brasileiros tiveram o São Paulo pelo caminho e mesmo conseguindo vencer o Tricolor, único representante do país com três conquistas e sempre considerado um dos maiores favoritos, não tiveram um final feliz.
O Cruzeiro pareceu nervoso o suficiente para se preocupar em dar pau e esquecer da bola. Caiu na velha catimba argentina e sucumbiu às provocações. Ramires sumiu do jogo. Só Kléber parecia interessado em jogar.